Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
15/01/2026 00h01
DEUS OU DEMÔNIO

            A minha tia, saudosa memória, me chamava na intimidade de “meu santo pecador”. Queria dizer assim da ambiguidade que ela via em mim. Por um lado, uma pessoa boa, que procurava fazer o bem dentro da conceituação da família universal que eu defendo. Por outro lado, ela me via também a distribuir o amor romântico, afetivo, íntimo com as mulheres, da mesma forma que distribuo os meus bens materiais na conceituação da família universal. Isso faz as minhas companheiras que querem um amor exclusivo, dentro dos padrões culturais que foram ensinadas desde crianças, a sofrerem com essa minha liberalidade afetiva, apesar de elas terem o mesmo direito de distribuir também seu amor se assim acharem necessário.



            Por isso minha tia me chamava pecador. Agora posso ver pelos olhos da minha tia essa ambiguidade. A minha aparência mostra pelo lado da bondade a fisionomia de Deus, que todos podem ver, e pelo lado do desejo carnal a fisionomia do Demônio, que ninguém pode ver. Tanto uma como outra consideração são muito fortes, de representar Deus ou o Demônio na minha aparência e personalidade.



            Por que veio à minha mente essas reflexões? Ao ler o livro de Nikos Kazantzákis, “O Cristo Recrucificado”, no capítulo V, Manólios, o rapaz que tinha sido indicado para representar o Cristo durante um período na comunidade, ia à casa de uma viúva. Ela recebia homens e prestava serviço a eles com seus dotes sensuais, e Manólios queria a salvar dessa luxuriosa perdição. Acontece que ambos, Katerina e Manólios, tinham uma atração mútua. Porém Manólios, querendo sinceramente representar o Cristo, e não podendo fornicar com Katerina, ia à sua casa disposto a conversar com ela a disposição de não a considerar mais como mulher, amante, e sim como uma irmã.



            Vejamos como o autor descreve a situação:



            Já estava escuro. As aves noturnas, amorosas e famintas, começavam a lançar seus gritos estridentes. As primeiras estrelas, as maiores, penduravam-se no céu.



            “Vou esperar que escureça mais ainda, para ninguém me ver na aldeia!”, pensava Manólios, descendo lentamente o caminho. Enquanto andava, dava tratos à bola, escolhendo as palavras que devia dizer e a maneira como dizer, para conseguir que a palavra de Deus penetrasse no coração de Katerina. “Eu bato a porta, ela vem abrir... Vai ficar espantada de me ver, fecha a porta, a gente entra na casa...” Ele já vira o pátio, não tinha medo; vira os cravos, o manjericão, o poço... Mas, e dentro de casa? Manólios ficou cheio de pavor; parou para tomar fôlego. “Dentro de casa, deve haver a cama...”, pensou.



            Seu espírito perturbou-se. Não saberia mais o que dizer a viúva, nem mesmo saberia como lhe explicar porque descera da montanha numa hora daquela, em plena noite, para bater à sua porta. E ela, vendo-o enrubescer e perder a cabeça, ia desatar a rir. “Meu pequeno Manólios”, diria, “você veio sem saber ao certo por quê. Será que não sonhou, também? Foi o Maldito que mandou esse sonho, meu Manólios, ou foi a Virgem? Se não foram os dois juntos; isso também acontece. Então você veio, e primeiro vai falar-me de Deus e do paraíso, e depois, sem perceber, pequeno Manólios, sem eu mesma perceber, pobre de mim, estamos os dois abraçados na cama... Que quer? Você é um homem, eu sou uma mulher, Deus fez a gente assim. É culpa nossa se, quando estamos um perto do outro, temos uma vertigem, perdemos a razão e abrimos braços e pernas para nos unirmos?...   



            Este é o pensamento divino que levava Manólios ao encontro de Katerina; esta é a reflexão demoníaca que Manólios fazia dentro dos seus próprios pensamentos. Isto é o que acontece comigo, vou ao encontro das mulheres com propósitos divinos, mas por dentro existem os instintos animais, diabólicos, de obter o prazer que a carne deseja.



            Esta é a ambivalência que minha tia percebia e que considero aqui como real. Mas, continuo a me debater com essa força diabólica que me motiva a procurar as mulheres que os desejos atiçam, porque mEu espírito pode usar essa força para trazer benefícios a quem se aproxima de mim, seguindo a orientação dada pelo Mestre Jesus: “Fazer ao próximo aquilo que desejarias fosse feito a ti”.



            Acredito que se eu consigo seguir essa bússola comportamental do Cristo, essa força instintiva pode ser mais uma ferramenta psíquica que mEu espírito pode usar para fazer a vontade do Pai, na construção da Família Universal como base para a realização do Reino de Deus entre nós, aqui na dimensão material.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 15/01/2026 às 00h01
 
14/01/2026 00h01
O MILAGRE

            Todos sabemos que milagres existem, sejam eles de qualquer tipo, uma tal forma da natureza agir que ainda não conhecemos. O texto que fiz no dia anterior, “A Promessa”, pode ser um testemunho próximo.



            Uma condição para que o milagre se realize é a fé que a pessoa deposita, seja para ela própria ou para alguém que ela intercede, conforme Jesus explicava em seus atos: “Vai, tua fé te salvou”.



            Dois mil anos após esses exemplos magníficos do Mestre Jesus, os milagres continuam a acontecer, aqui e acolá, mas geralmente através da fé de alguma pessoa, quer seja direta ou indiretamente, para si ou para outra pessoa.



            Estava há pouco tempo dentro de um contexto em que o milagre era a única chance de manter a vida de uma pessoa querida, que passou dias em uma situação crítica dentro de uma UTI hospitalar e que finalmente recebeu o diagnóstico de morte encefálica.



            O ex-marido dessa pessoa, deseja ir ao seu leito de morte para dar o último testemunho do grande amor que permanece no seu coração, e entende que isso pode fazer alguma diferença. Os demais parentes, muito espiritualizados, veem nessa atitude do ex-marido uma chance para o milagre acontecer.



            Todos dizem ter fé que essa vibração do amor do ex-marido, pode trazer a vida dessa pessoa amada.



            Este é o contexto: a expectativa do milagre da vida de uma pessoa, amparada pela fé de tantos.



            Acontece que todos choram como se a mulher já estivesse definitivamente morta. Como pode o milagre operar, se todos já a consideram morta? Se nenhum mostra em suas atitudes e semblantes a expectativa de que ela possa retornar à vida? De recebê-la de volta, com sua voz, seu sorriso, sem sequelas impeditivas? Parece que nenhuma dessas pessoas que oram por ela, tem a expectativa de que ela possa se reanimar ao som da voz do seu amado ex-marido, quando essas vibrações chegassem até os seus já frios ouvidos?



            Certamente Deus olhará em volta para ver em quem se manifestará a Sua graça para o milagre acontecer.



            Eu também tenho uma dívida de gratidão, indireta, com essa pessoa. Foi ela que resgatou minha atual companheira, tirando-a de um trabalho, longe de casa, onde ela estava definhando, longe da família. Foi essa minha companheira, salva pela pessoa que agora está agonizando. Devo a esta mulher ter comigo a companheira que hoje suporta a forma de eu conduzir minha missão frente ao Pai.



            Deus permitiu toda essa engenharia relacional, com tantas pessoas ao meu redor, para que a minha missão da Família Universal pudesse ser viabilizada da minha parte, com uma companheira, para que eu não me sentisse tão solitário numa tarefa que envolve tantas pessoas.



            Dessa forma, eu também tenho uma dívida de gratidão com essa pessoa em estado crítico, e que também tenho que ter a fé capaz de canalizar a graça de Deus, e que a minha fé não seja fragilizada pelo sentimento de perda definitiva.



            Portanto, permaneci aguardando que o milagre acontecesse, me mantive sereno, apesar de não focado na questão como deveria ser. Também rondava em minha mente a sensação de orgulho e vaidade, de ter sido veículo usado por Deus para o milagre acontecer. Isto certamente não é um pré-requisito para o milagre se realizar.



            A máquina de produção da energia terahertz que eu queria aplicar como ferramenta do milagre existir, não foi possível. A voz do ex-marido, que ela tanto amava e vice-versa, era outra chance da graça ser viabilizada, mas não aconteceu.



            O último contato que tive com o seu corpo, já preparado numa sala de velório para ir à câmara de cremação, serviu como uma demonstração que não estamos preparados ser instrumentos para realização de milagres, pois não veio à minha mente que até neste momento o milagre poderia acontecer, bastaria que eu pegasse em suas mãos frias com a fé mantida no Criador... mas onde estava a minha fé?


Publicado por Sióstio de Lapa
em 14/01/2026 às 00h01
 
13/01/2026 00h01
A PROMESSA

            Dentro da minha formação médica, a promessa que fazemos a Deus ou aos santos não tem nenhum valor prático, tudo se restringe ao psiquismo da pessoa que faz a promessa e que não repercute fora dela.



            Os anos de academia que eu gastei nos estudos da graduação e pós-graduação, formataram o meu pensamento dentro da dimensão material da vida, cheguei até a militar em partidos de esquerda direcionados por pensamentos revolucionários cujos ideólogos consideram a espiritualidade como uma droga usada pelo povo.



            Acontece que tudo isso não conseguiu que eu apagasse da memória um fato que aconteceu na minha vinda à luz, no parto que a minha fez pela primeira vez para me colocar dentro deste mundo material. Devido as dificuldades ginecológicas da cidade interiorana onde ela residia, o parto feito em casa assistido por uma parteira, a dificuldade da minha cabeça não conseguir passar pelo canal do parto estava ameaçando a minha vida e a vida da minha mãe.



            Não havia a quem recorrer, não havia maternidade, não havia obstetra, a parteira usou todos os seus recursos, puxando com sua mão a minha cabeça, que até hoje tenho o desvio da minha cabeça em relação à coluna e as marcas dos seus dedos nos ossos do crânio. Era apenas esperar o inevitável, a morte da mãe e do filho sobre uma cama cheio de estertores das dores...



            Mas quando tudo no mundo material falha para acudir as necessidades de quem sofre, o mundo espiritual pode oferecer o socorro, principalmente quando é instigado por promessas, por um compromisso a ser cumprido se tal pedido for realizado.



A promessa foi feita ao santo mais conhecido do mês de outubro, São Francisco, da cidade de Assis na Itália. Foi a quem meus familiares recorreram, e se ele me salvasse, na sua intercessão ao próprio Jesus com quem ele tanto se identificava aqui na Terra, então eu seria batizado com o seu nome: Francisco.



            Consegui nascer, promessa cumprida, como posso esquecer ou desprezar uma memória deste tipo, se toda vez que assino meu nome lembro dessa história? Nem todo conhecimento moderno, científico ou tecnológico pode passar uma borracha nessa história que me foi contada e tem como testemunha o meu registro de nascimento.


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em 13/01/2026 às 00h01
 
12/01/2026 00h01
LUCROS

 



LUCROS



“E o que tens ajuntado para quem será?” — Jesus.



(LUCAS, capítulo 12, versículo 20.)



Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar algum bem material.



O espírito de lucro alcança os setores mais singelos.



Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa.



A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa.



Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante em busca desses lucros materiais, que são importantes para a nossa vida biológica com dignidade, mas não podemos esquecer da vida espiritual.



Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os corpos que saíram do berço e voltam a compor a matéria prima da terra, a Verdade aguarda a pessoa no mundo espiritual e a interroga:



— Que trouxeste?



A pessoa, confusa, responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranquila de si mesmo e dos seus.



Examinada, porém, a bagagem dessas pessoas, verifica-se, quase sempre, que as vitórias que elas imaginavam, não passam de derrotas fragorosas dentro dos critérios espirituais.



Não constituem valores da alma, dos talentos que o Pai nos deu, nem trazem consigo os bons frutos, o selo dos bens eternos que os talentos poderiam proporcionar.



Atingida tal conscientização, a pessoa de bom coração olha para trás e sente arrependimentos. Estava presa de maneira inocente, ao progressismo material, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra.



A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”



Esta é a tarefa que procuramos cumprir aqui na Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM). Alcançar lucros que possamos apresentar quando voltarmos para o mundo espiritual, mesmo que estejamos militando em qualquer bandeira de igreja, católica ou protestante, ou qualquer denominação religiosa, desde que estejamos cumprindo a principal lei que nosso Mestre ensinou: “Amar ao Pai acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.



UFRN/CCS/HUOL/DMC/Foco de Luz/AMA-PM/Cons. Consultivo em 12-01-26


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em 12/01/2026 às 00h01
 
11/01/2026 00h01
ROUBO PREMEDITADO – sonho e realidade

            Estava com meu irmão e demais parentes dentro de uma grande e rica instituição, mistura de restaurante com loja de utensílios. Veio à minha cabeça a ideia, que dividi com meu irmão, de fazer um furto que não tinha possibilidade de ser descoberto. Tiraria o alarme de uma roupa valiosa, a esconderia nos meus pertences e simularia uma estratégia para enganar a vigilância com uma falsa narrativa. Eu tinha certeza de que seria um roubo que ninguém perceberia.



            Havia apenas um problema, eu sabia que isso iria contra a lei de Deus, e mesmo sabendo que ninguém iria descobrir, a minha consciência não iria permitir, pois eu já estava convicto de seguir a vontade do Pai, conforme o que Cristo ensinou.



            Essa instituição agia com honestidade, cobrava o correto aos clientes, para cobrir os custos de aquisição dos produtos e pagar aos funcionários o que eles mereciam, de acordo com a qualidade do trabalho que eles desempenhavam. Não havia justificativa para ninguém procurar roubar os produtos ou compensar de qualquer forma uma injustiça que achassem ser vítimas.



            Esse sonho fez eu refletir sobre a sociedade cristã, estabelecida como Cristandade, seguindo os princípios cristãos. Essa sociedade devia funcionar com justiça para todos, que ninguém se sentisse explorado ou enganado de nenhuma forma.



            Se tal acontecia, era porque somos pessoas com instintos animais, de autopreservação, egoístas, pois somos filhos biológicos da condição animal, e o próprio Criador colocou dentro de nós um monstro energético, instintivo, chamado Beemote, cujo objetivo prioritário é cuidar da preservação e continuidade do corpo físico, do seu potencial genético.



            O que podemos fazer, enquanto cristãos, quando percebemos esses desvios da lei divina, quando os nossos dirigentes são os gestores de nossa comunidade? Certamente, seria aplicar os ensinamentos do Cristo na consciência dos nossos irmãos que estão desviados do Caminho da Verdade, para que eles corrijam suas rotas, com uma base fraterna nas nossas considerações críticas.



            Toda essa tentativa de correção seria feita pelos cristãos, com humildade, tolerância e compaixão por aquele irmão desviado do Caminho, que nos faz sofrer por suas atitudes egoístas e as vezes até perversas.



            Este exemplo de reação cristã aos abusos praticados por nossos irmãos que estejam temporariamente em algum cargo público, agir com misericórdia com as vítimas das injustiças e principalmente os algozes pois estes estão verdadeiramente perdidos nos desvios dos caminhos largos da materialidade, da animalidade, e sensibiliza-los para voltar ao Caminho da Verdade ensinado pelo Cristo.



            Acontece que na Cristandade, quem procurou corrigir os desvios da sociedade cristã, da Cristandade, foram pessoas que não eram cristãs, que estavam motivadas pelos instintos animais e não pelos princípios espirituais.



            Então, essas pessoas passaram a mentir, a criar falsas narrativas, exorbitar os erros cometidos e apontar os abusadores como seres perversos que não deveriam estar no governo, ou mesmo que não mereciam existir.



            Essas pessoas se organizaram em sociedades secretas para cometer o roubo premeditado do poder. Conseguiram criar situações em que uma parte da população se agregou, enganada pelas falsas narrativas e conseguiram pelas forças das armas, em movimentos revolucionários, roubar o poder e colocar na prática as suas ameaças de destruição do próximo, como se fossem animais, como eles próprios eram.



            Pessoas de bons corações eram executadas, justificadas pelas leis que eles criaram, guilhotinadas na frente de uma multidão conduzida como uma manada, entre outros que se mostravam confusas.



            Esse foi o novo motor que passou a criar as engrenagens revolucionárias no mundo todo, o roubo do poder com a falsa narrativa democrática, para sequestrar povos inteiros e deixá-los trabalhando dia e noite sem poder a quem recorrer em busca da verdadeira justiça.  


Publicado por Sióstio de Lapa
em 11/01/2026 às 00h01
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