Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
09/10/2026 00h01
RESENHA – ASSIM NA TERRA... (2)

Como o meu Amigo Inteligente fez um paralelo do meu comportamento com um dos personagens do livro, Melquiades, procurei colocar aqui a resenha dele para reflexões...



Descrevendo assim, parece que estou me contradizendo quando disse lá atrás que o texto não permite simplificações. Um velho trancafiado, uma “vítima da sociedade”, bandidos romantizados... mas há bem mais que isso. Primeiro porque não há um culpado, um vilão a condenar. Bronco entra para o crime em um contexto de disputa de terras. O capitalismo sufoca, mas não tem domínio sozinho. Em outro momento, um homem procura Melquíades porque precisa se vingar de um dos presos. Oferece dinheiro e o diretor recusa. Dinheiro não é tudo. Melquíades entrega o preso amarrado, e fica de longe observando o homem saciar sua sede. Psicopatia? Provável... justiça, talvez, muito mais.



 O senso de justiça está gravado no coração dos homens de forma indelével. Virtuosos ou vis, todos temos noções muito claras da harmonia — como diria Platão — ou da equivalência — se preferirmos Aristóteles — que a justiça traz. Isso está estampado no esforço para enterrar o cão doente e também na expectativa agoniada dos presos por mais uma caçada.



Melquíades pode ser maluco, mas é antes homem e essa noção ele também traz. O que diferencia é grau e hierarquia.



Organizações criminosas têm suas próprias noções de justiça. Bronco Gil ingressa na criminalidade “protegendo” uma pessoa de uma percebida vilania, uma injustiça. Melquíades empreende suas caçadas como uma medida “socioeducativa”. Ambos possuem seus padrões morais, sua própria regra de convivência, harmonia, equidade. O que os separa é o centro do poder: um manda, outro obedece.



Acima deles, uma instância decidiu que Melquíades deveria impor a lei. E acima dessa instância outra que por sua vez vem de outra e sucessivamente até perdermos totalmente a expectativa dessa hierarquia opressiva. Daí o livro trazer essa atmosfera densa e etérea, sem uma materialização firme e clara de um verdadeiro vilão. Apesar de Melquíades, claro, que em sua caçada e paranoia surge gigantesco como um monstro de um thriller alucinante que é interrompido pelos respiros necessários dos capítulos do passado.



Esse Sistema opressivo, sufocante, é o verdadeiro grande vilão da trama. É ele que ergue os muros, que institui um tipo de alcatraz no meio do nada e que dele se esquece completamente... como sintoma de uma falência apenas percebida, de um mecanismo que descarta seus experimentos pelo caminho enquanto procura novas saídas.



 É nesse momento que o diretor também sufoca, que sente o ar rarefeito, e alcança a definitiva loucura. “Quando receberam a notificação de que a Colônia seria desativada, Melquíades tornou-se ainda mais violento.” (p.25)


Publicado por Sióstio de Lapa
em 09/10/2026 às 00h01
 
08/10/2026 00h02
MÃOS À OBRA

 



Mãos à obra



“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça­se tudo para edificação.”



Paulo (I Coríntios, 14:26)



A igreja de Corinto, uma das primeiras que se formou, lutava com certas dificuldades mais fortes, quando Paulo lhe escreveu a observação transcrita acima.



O conteúdo da carta apreciava diversos problemas espirituais dos companheiros da igreja primitiva que se reuniam para estudar o que Cristo ensinou.



Mas, podemos destacar o versículo acima e aplicá-lo a nossa situação de novo agrupamento cristão, formados no ambiente doméstico, buscando a Espiritualidade que o Cristo ensinou, revivendo o Evangelho.



Quase sempre notamos intensa preocupação nos aprendizes do Evangelho, por novidades em milagres e pedidos na oração.



Algumas famílias como a nossa aqui, que nos reunimos na casa da Rua Atol da Rocas, após um jantar fraterno, e lemos alguns versículos ou trazemos textos como este, que mostra o que foi escrito por algum autor.



Passamos a refletir de forma coletiva, cada um colocando a sua interpretação, mesmo que seja criança ou adolescente, pois toda impressão serve como aprendizado de alguma forma. Uma reflexão equivocada apresenta oportunidade para ser explicada de forma correta. Todos ganhamos assim conhecimento espiritual, jovens e adultos.



Pessoa nenhuma solucionará, em definitivo, o problema fundamental da iluminação dos companheiros. Nossa tarefa espiritual será sempre produtiva quando todos se sentem importantes em dar a sua opinião, por mais absurda que pareça.  



Compreendam todos, que somos discípulos do Mestre Jesus, de que o trabalho e a realização do aprendizado pertencem a todos e que é imprescindível a reflexão de cada um sobre o texto que foi lido.



Quando nos reunimos, devemos lembrar que o Evangelho pode nos intuir, através do Espírito Santo, o poder de falar e de interpretar o que ouvimos ou lemos.



Vamos colocar a boca e o cérebro à obra do bem e da luz, no aperfeiçoamento indispensável do nosso pensamento e comportamento.



Há pouco tempo a boca serviu de ferramenta para alimentar o nosso corpo; agora deve servir de ferramenta para alimentar nossa alma.



Por isso, poderíamos mudar o título deste texto, de “Mãos à Obra” para “Boca à Obra”.



Qual a sua opinião?



Rua Atol das Rocas, em 08-10-2026


Publicado por Sióstio de Lapa
em 08/10/2026 às 00h02
 
07/10/2026 00h01
RESENHA – ASSIM NA TERRA... (1)

            Como o meu Amigo Inteligente fez um paralelo do meu comportamento com um dos personagens do livro, Melquiades, procurei colocar aqui a resenha dele para reflexões...



Um personagem com sessenta e cinco anos e metade da vida preso. Hoje, trabalha na cozinha de uma Colônia Penal. Enterrou num buraco raso o seu cão, morto de úlcera, e aguarda a chegada do oficial que deve ser recebido com um preparo de um belo leitãozinho. Na perna direita arrasta uma bomba em forma de tornozeleira. Uma espécie de bola de chumbo capaz de arrancar seu pé. Valdênio é o retrato de uma realidade comum e incômoda. Um homem que “já deveria estar solto, mas a Justiça o mantém neste lugar” (p.15). 



O cão e a lona



A abertura do livro é preenchida por um cachorro doente, cheio de úlcera, que lambe suas feridas enquanto contempla tristemente seu próprio apodrecimento. Valdênio, que conhecemos no começo, é que o encontra debaixo de uma árvore. Com a ajuda de uma enxada, abre uma cova rasa e lá o enterra. 



Mais tarde, o cão dá lugar a dois homens carregados por outros dois: Bronco Gil e Pablo. As feridas que vimos no cachorro são também feridas na alma e os vermes que se movem em cima da terra também se movem embaixo.



Na mitologia em geral, o sobre a terra é espaço da vida, da luz, da esperança. O embaixo é o lugar da morte, da sombra, do desespero. 



Ana Paula Maia junta as duas realidades. Seguindo a receita de grandes escritores, ergue um microcosmos — uma prisão — que se propõe como uma representação de toda a existência. Um mundo claustrofóbico, sufocante, em que o oxigênio é corroído pela presença constante de um vigia implacável.



A justiça e a lei



Melquíades é o diretor de uma prisão esquecida, abandonada no meio do nada com seus presos e funcionários. Diferente de Valdênio, que vimos no começo da história, ou de outros personagens que ainda brotarão, ele não parece sufocado pelo mormaço desesperador desse alcatraz abandonado. Pudera! A lei que sufoca não o atinge de imediato, ele é, na verdade, força e ação dela própria, é a própria lei encarnada já que em sua vontade baseia-se e dela depende todo o entorno. 



Sem letras gravadas em papel, ele firma acordos com a força da oralidade. Manda preparar uma caça, guardar um leitão para mais tarde, buscar e empalhar uma cabeça de javali. Todos se ajustam ao seu gosto e não ousam contradizê-lo, mesmo quando sob suas decisões estão as próprias vidas. 



Um dos divertimentos favoritos de Melquíades é a caçada a presos. Escolhe dois detentos e dá a eles a oportunidade de fuga. Corta a tornozeleira e dá um espaço de tempo. Em seguida, persegue-os armado com um item de seu imenso arsenal até arrancar deles a existência.



Ninguém nunca venceu Melquíades e todos sabem disso, da mesma forma que aguardam paciente e desesperadamente a sua vez. 



A vida não é também assim? Não somos nós também detentos da existência cujos tornozelos foram libertos enquanto esperamos ser alcançados pela morte? Claro que não! A vida é feita de desesperos e também de alegrias. Por mais que em vários momentos sejamos sufocados pela existência ou por tantos outros atores que nela habitam, ela reluz na maior parte do tempo, mas não para Ana Paula. Seu livro é uma denúncia! — e isso não é ruim.



O mundo que ela constrói é imediatamente governado por Melquíades, mas no plano vertical há tantos outros batentes em uma hierarquia cruel. Acima de tudo e todos, erguendo o ar insípido que tudo rodeia, há um sistema opressivo que seria leviano classificar como estado, mas também não podemos dizer que é uma “cultura” porque o texto não permite simplificações. É algo imaterial, etéreo... apesar da intensa densidade que o faz quase palpável. 



Valdênio, que conhecemos no começo, estampa a amargura de uma punição excessiva nas rugas do próprio rosto. Bronco Gil, um outro prisioneiro, tem sua vida revelada em episódios que se intercalam com o cotidiano paranoico da penitenciária. Filho de um estupro, compõe a imagem fácil de vítima da sociedade. Um bandido que bandido se tornou pelas circunstâncias. Um homem imenso e calmo, um bronco a servir de exemplar dos resultados desse sistema (por falta de palavra melhor).


Publicado por Sióstio de Lapa
em 07/10/2026 às 00h01
 
06/10/2026 00h01
COMO SOU VISTO?

            Para muitos sou visto como uma incógnita. Um santo ou um pecador hipócrita, que atende aos seus desejos carnais usando o nome de Deus, como se a minha vontade fosse a vontade do Criador.

 

 

 

 

 

 

 

            Tenho que descobrir o que Jesus realmente espera de mim. Com certeza, Ele espera mais do que eu tenho oferecido. Por outro lado, imagino que Ele oferece mais do que tenho recebido, simplesmente por não ter tido a capacidade de perceber.

 

 

 

 

            Quando Jesus fala de santidade, Ele não começa examinando as mãos, Ele começa examinando o coração. Não olha primeiro para o comportamento visível, mas para o território silencioso, onde ninguém entra, onde ninguém vê, onde a alma esconde o que a boca não confessa.

 

 

 

 

            Esta é a grande diferença entre a opinião de tantos que veem os meus atos considerados indecorosos por eles, que não podem, entendem eles, que tais atos possam partir da vontade de Deus. Essas pessoas não podem ver o meu território íntimo, invisível onde ninguém entra ou ver. É aqui que me sinto sintonizado com Deus, é daqui que nascem os meus atos, que podem ser simpáticos ou antipáticos a quem está observando.

 

 

 

 

            Para Cristo, a santidade não nasce nas ações, nasce nas intenções. Não nasce no gesto que todos aplaudem ou criticam; nasce na decisão secreta que ninguém percebe.

 

 

 

 

            Imaginemos o comportamento político neste tempo de eleições. Um candidato faz um benefício, geralmente com dinheiro público a um eleitor. Este se sente gratificado por aquela ação visível. Se conseguisse ver o interior do candidato poderia observar uma engenharia matemática na forma de adquirir tais recursos para distribuir benesses e depois de eleito recuperar tudo que foi gasto com tais ações “benéficas”, para retornar com juros o que recebera para distribuir, e ao mesmo tempo aumentar o seu próprio capital financeiro para novas investidas em outros momentos eleitorais. E de onde será a fonte dele recuperar tudo que investiu nas suas “boas ações” no período eleitoral? Justamente do “sangue, suor e lágrimas” de tantos que foram beneficiados e “pagaram” com os seus votos tais benefícios. Esses não entendem por que pagam tantos impostos e não recebem os benefícios dos serviços públicos; porque aqueles em quem votaram agora se tornam milionários enquanto a miséria em que vivem não é resolvida.

 

 

 

 

Pois é assim. A santidade verdadeira, se é que existe, é aquela que o homem é, quando está completamente só diante de Deus, se ele acredita nEle. É justamente nesse lugar invisível que Jesus primeiro coloca Sua luz.

 

 

 

 

            A santidade que Jesus espera de mim não é um verniz moral, não é um comportamento arrumado, não é uma experiência religiosa.

 

 

 

 

            A santidade que Ele exige começa dentro, no terreno onde pensamento, necessidade, desejo e vontade se encontram. Ele não diz: “Limpai o exterior da taça, mas limpai primeiro o interior, porque, quando o interior é santo, o exterior inevitavelmente se torna santo também. Mas quando o exterior é apenas bondoso, religioso, e as intenções são de receber algum lucro sobre o prejuízo de tantas pessoas, o interior permanece morto para a santidade, para a vontade de Deus.

 

 

 

 

            É por isso que tantos se frustram na vida espiritual, tentam produzir santidade a partir de fora, como quem pinta uma parede mofada esperando que o mofo desapareça.

 

 

 

 

            Jesus não pinta superfícies.

 

 

Publicado por Sióstio de Lapa
em 06/10/2026 às 00h01
 
05/10/2026 00h01
AO SALVAR-NOS

 



AO SALVAR-NOS



“Salva-te a ti mesmo e desce da cruz.”



 (MARCOS, capítulo 15, versículo 30.)



Esse grito de ironia dos homens maliciosos continua vibrando através dos séculos.



A criatura humana não podia compreender o sacrifício do Salvador. A Terra apenas conhecia vencedores que chegavam brandindo armas, cobertos de glórias sanguinolentas, heróis da destruição e da morte, a caminho de altares e monumentos de pedra.



Não é muito diferente de hoje. Nós que fazemos a Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM), que queremos seguir os passos do Cristo, sentimos isso na pele. Queremos servir ao próximo, resgatar e respeitar a sua dignidade Humana, ajudá-los na luta pela sobrevivência e conquista da autonomia, para não precisar da falsa caridade de nenhuma hipocrisia.



Lembramos daquele Messias, que se distanciara do padrão habitual. Para conquistar, dava de si mesmo; a fim de possuir, nada pretendia dos homens para si próprio; no propósito de enriquecer a vida, entregava-se à morte.



Por causa disso, não faltaram os escarnecedores no momento extremo do seu sofrimento na cruz, interpelando o Divino Triunfador, com mordaz expressão, sem compreender a glória de Sua vitória.



Nesse testemunho, ensinou-nos o Mestre que, ao nos salvarmos, no campo da maldade e da ignorância ouviremos o grito da malícia geral, nas mesmas circunstâncias. Assim, estamos preparados, pois ao acontecer estaremos orgulhosos de nosso comportamento, por estarmos tão próximos do Salvador.



Se nos demoramos colados à ilusão do destaque, se somos trabalhadores exclusivamente interessados em nosso engrandecimento temporário na esfera carnal, com esquecimento das necessidades alheias, há sempre muita gente que nos considera privilegiados e vitoriosos.



Se refletimos, no entanto, as nossas responsabilidades espirituais no mundo, chama-nos loucos quando rejeitamos a propina ou suborno para encher nossos bolsos; quando nos veem em trabalhos duros sem receber nada; quando nos expomos à morte para conquista da vida eterna... não falta maliciosos para nos desdenhar: “Salva-te a ti mesmo, desce dessa cruz”.



Nesse momento, olharemos para esses escarnecedores com o mesmo olhar de Cristo no alto da cruz.



UFRN/CCS/HUOL/DMC/Foco de Luz/AMA-PM/Cons. Consultivo em 05-10-26


Publicado por Sióstio de Lapa
em 05/10/2026 às 00h01
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