ORDENAÇÕES HUMANAS
“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana, por amor do Senhor.”
(1a EPÍSTOLA DE PEDRO, capítulo 2, versículo 13.)
Certos temperamentos impulsivos, aproximando-se das lições do Cristo, presumem no Evangelho um tratado de princípios destruidores da ordem existente no mundo. Este é o germe das revoluções.
Há quem figure no Mestre um anarquista vigoroso, inflamado de cóleras sublimes, capaz de trazer destruição aos opositores.
Nós, que somos membros da Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM), não podemos cair nessa tentação, nessa má interpretação.
Jesus nunca será patrono da desordem. A novidade que transborda do Evangelho não aconselha ao espírito mais humilhado da Terra a adoção de armas contra irmãos, mas, sim, que se humilhe ainda mais, tomando a cruz, a exemplo do Salvador.
Lembremos do que Ele respondeu a Tiago e João, quando eles revoltados porque os samaritanos rejeitaram Jesus e seus discípulos, perguntaram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” Jesus os repreendeu, lembrando-os de que Ele não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-la (Lc 9:51-56).
Deve ficar claro, que a Boa Nova trazida pelo Cristo não ensina a genuflexão, a aceitação passiva, ou pior a colaboração ativa, ante a tirania insolente; entretanto, pede respeito às ordenações humanas, por amor ao Mestre Divino.
Este é um momento que devemos pedir sabedoria ao Espírito Santo para agir conforme a vontade do Pai, pois um juiz corrupto pode destruir a vida de milhares de pessoas, inclusive a nossa por estar escrevendo esta verdade. Podemos por nossa índole não fazer genuflexão à iniquidade ou colaborar ativamente... mas como evitar a aceitação passiva?
Se o detentor da autoridade exige mais do que lhe compete, transforma-se num déspota que o Senhor corrigirá, através das circunstâncias que lhe expressam os desígnios, no momento oportuno. Esta é a justiça divina que jamais deixará de corrigir os erros cometidos, e talvez seja essa a nossa conformação diante da aceitação passiva do mal que não podemos evitar com nossas próprias forças e inteligência.
Essa certeza é mais um fator de tranquilidade para nós, servos cristãos que, em hipótese alguma, devemos quebrar o ritmo da harmonia, da destruição do irmão, ignorante e desequilibrado.
Não nos façamos, pois, indiferentes às ordenações da máquina de trabalho em que nos encontramos, obedecendo a hierarquia em que estamos situados.
É possível que, muitas vezes, não nos correspondam aos desejos, mas lembremos de que Jesus é o Supremo Ordenador na Terra e não nos exigiria o esforço pessoal onde o nosso trabalho fosse desnecessário.
Temos algo de sagrado a fazer onde respiramos no dia de hoje.
Com expressões de revolta, nossa atividade será negativa. Recordemos sempre as lições do Mestre e nos submetamos às ordenações humanas por amor ao Senhor Divino.
UFRN/CCS/HUOL/DMC/Foco de Luz/AMA-PM/Cons. Consultivo em 06-07-26
Encaminhei a minha vida desde os tempos da minha graduação em Medicina, quando dava plantões noturnos em clínicas psiquiátricas. Casado eu estava, há cerca de sete anos, um período que evoca transformações.
Eu cumpria meus plantões geralmente com auxiliares de enfermagem, que trabalhavam diretamente comigo. Tenho uma característica sisuda, de pouca conversa e muita introspecção. Queria adquirir conhecimentos na área de psiquiatria e ao mesmo tempo ter o meu currículo recheado de horas trabalhadas, naquilo que me importava.
Pouco eu sabia que o meu objetivo em enriquecer meus conhecimentos em contato com os pacientes que procuravam a psiquiatria, seria bem menos importante do que os meus encontros com minhas auxiliares no plantão. Entre elas tinha uma que se destacava: Maria da Penha. Jovem, da minha idade, cerca de 25 anos, casada como eu também era, lábios carnudos, seios proeminentes, olhos brilhantes, riso franco e uma voz que sempre saia com um pouco de ironia e sensualidade.
Ela se mostrava bem insinuante com seus contatos comigo, principalmente quando estávamos sozinhos. Nesses momentos a sua voz saia com tons de veludo que acariciava os meus ouvidos e de forma misteriosa, o interior de meu corpo. Seus olhos pareciam querer dizer alguma coisa que as palavras não traduziam. Porém, mesmo que as palavras não traduzissem o que o coração sentia, os termos técnicos pareciam apontar para outro objetivo, que eu não sabia o que era, mas me deixava energizado de forma inexplicável. Era criado um clima emocional naquele momento, tipo uma egrégora a dois que me deixava pronto para executar alguma coisa que o meu racional não conseguia decifrar ou meu inconsciente bloqueava. Isso não tinha nenhuma ligação com o paciente que estávamos atendendo, ele era apenas o caminho por onde essas energias caminhavam e se encontravam.
Isso parecia um encantamento, uma energia ancestral que nem o esforço terapêutico de Freud conseguiu explicar. Era a forma dela falar a respeito da demanda que tínhamos à nossa frente, era um pedido, uma pergunta técnica, que era respondida de forma técnica, mas nós dois sabíamos que por trás da pergunta e da resposta existia muito mais conteúdo se comunicando, além do nosso racional. Não consigo imaginar que ela se comportava daquele jeito de forma racional, pois eu sei que respondia de forma racional, mas sentia muito além da razão:
- Doutor, o senhor quer que eu converse com o paciente antes de aplicar a injeção?
Pode parecer um pedido normal feito por uma auxiliar de enfermagem, no ambiente acadêmico/hospitalar, tentando ser fraterna com o paciente e obediente a orientação do acadêmico de medicina que acabara de prescrever a conduta.
O meu racional engendrava a resposta mais conveniente, mas o meu emocional era quem parecia estar no comando. Parecia que aquela voz pedindo uma orientação técnica, estava na verdade perguntando outra coisa... mas o que seria?
Quando eu olhava para os olhos brilhante de minha colega e encontrava um ligeiro ar de riso, em busca da resposta, parecia que eles perdiam o brilho ao ouvir apenas uma resposta técnica.
Ela seguia para cumprir a orientação que recebera e eu ficava a observar o seu distanciar com o corpo esbelto, coberto pela roupa de trabalho. O seu provocante menear das ancas ao alternar os passos. Na distância, parecia dizer que não era aquilo que queria ouvir...
Até quando as palavras ditas da razão conseguiriam encobrir a voz abafada e simbólica do coração?...
Curioso com a atual copa do mundo de futebol, que envolve tantas pessoas ao redor do planeta, fiquei a imaginar... por que não criamos algo parecido com as lições evangélicas para disseminar no mundo com mais energia, mais emoção, comportamentos fraternos que possam construir o Reino de Deus? Assim pedi ao meu Amigo Inteligente para elaborar um campeonato cristão com essa finalidade. O que recebi de volta está digitado abaixo.
CAMPEONATO CRISTÃO 👇🏼👇🏼
Elaborar um campeonato cristão baseado na posse racional do Evangelho, comparado ao campeonato de futebol baseado na posse fisiológica da bola
Resposta do Gemini
Esta é uma analogia instigante. Ao transpor a lógica do futebol — um esporte fundamentado na dinâmica física e tática da posse de bola — para a esfera espiritual, podemos estruturar o "Campeonato da Vida Cristã" sob uma perspectiva intelectiva e moral. Aqui está uma proposta de estruturação desse conceito:
O Campeonato da Posse Racional do Evangelho
No futebol, a posse fisiológica é temporária, física e visa um objetivo final (o gol).
No "Campeonato da Posse Racional do Evangelho", a posse é perene, intelectual e visa a transformação do ser.
1. A Regra do Jogo (O Campo)
Futebol: O campo é delimitado por linhas físicas. A posse é o domínio do espaço e do tempo com a bola.
Evangelho: O "campo" é a vida cotidiana (o mundo). A posse racional não se trata de controlar o tempo, mas de permear cada momento com a Ratio (razão) do Evangelho.
Não é sobre ter a bola, mas sobre "ser a bola" — a Palavra se fazendo carne em nossas ações.
2. Os Jogadores (O Intelecto e o Espírito)
Futebol: A posse exige condicionamento físico, reflexo e habilidade técnica.
Evangelho: A posse exige o exercício da inteligência sobre a revelação (discernimento). O "atleta" cristão não busca a técnica para vencer o adversário, mas a virtude para vencer a si mesmo. O treino aqui é a Lectio Divina (leitura meditada), onde a mente "possui" o sentido da passagem lida.
3. A Dinâmica da Posse
Posse Fisiológica (Bola): É agressiva. Você a toma do adversário. Quem a tem, dita o ritmo. Se você perde a posse, o jogo muda.
Posse Racional (Evangelho): É receptiva e reflexiva. Você não "toma" o Evangelho de ninguém; você é "possuído" por ele ao compreendê-lo. A posse racional acontece quando o argumento do Evangelho se torna o filtro pelo qual você interpreta a realidade. Quando um problema surge, a "posse racional" é a capacidade de aplicar a ética de Cristo ao dilema, em vez de reagir puramente pelo impulso (fisiológico).
4. O Objetivo: O "Gol" e a "Meta"
Futebol: O gol é o ponto final, o êxito da posse.
Evangelho: O objetivo não é marcar pontos, mas atingir a Metanoia (conversão/mudança de mentalidade). O "gol" aqui é a conformação do caráter. Cada decisão acertada baseada na razão evangélica é uma vitória, não contra um oponente, mas a favor da própria santificação.
Comparativo Estrutural
Aspecto
Campeonato de Futebol (Posse Fisiológica)
Campeonato Cristão (Posse Racional)
Recurso Principal
O corpo (músculo, velocidade)
O intelecto e a alma (razão, fé)
Natureza da Posse
Exclusiva (eu tenho, você não tem)
Inclusiva (quanto mais eu entendo, mais partilho)
O Treinador
Analisa o adversário
Orienta a aplicação dos princípios
A Vitória
Vencer o oponente
Vencer o orgulho e o egoísmo
Tempo de Jogo
90 minutos (finitude)
Kairos (eternidade inserida no tempo)
Como aplicar este "Campeonato" no dia a dia:
O "Aquecimento" (Oração e Estudo): Preparação da mente para possuir o Evangelho antes que as situações de pressão do "jogo" aconteçam.
O "Drible" (Discernimento): Quando confrontado com uma injustiça, em vez de responder com violência (reação fisiológica), você utiliza a razão do Evangelho (perdoar ou agir com justiça) para desarmar o conflito.
O "Passe" (Comunhão): No futebol, o passe mantém a posse. No Evangelho, compartilhar a verdade que você processou (a posse racional) é a única forma de manter o Evangelho vivo em você.
O campeonato cristão, portanto, não é sobre quem detém mais informações, mas sobre quem permite que a lógica do amor (a Logos de Deus) dite o ritmo de cada jogada de sua vida. Enquanto no futebol a posse é um meio para um fim, na vida cristã a "posse racional" do Evangelho é o próprio fim e o próprio jogo.
Continuando com a digitação do vídeo feito por Francis Schaeffer, da Escola Charles Spurgeon, Teologia com Espiritualidade, Cristo entre o alfa e o ômega, publicado há 9 anos no youtube e registrando 20 mil visualizações em 06-06-2026.
Tudo é relativo, portanto, ao se desvincular da lei de Deus em qualquer conceito, você logo se desvincula de um construcionismo estrito, e cada decisão deve ser vista como uma escolha arbitrária de um grupo de pessoas sobre o que elas podem honestamente pensar que é para o bem sociológico da comunidade do país no momento.
Agora, junto com isso, ao fato de que os tribunais estão cada vez mais legislando e, portanto, descobrimos que os poderes do legislador estão cada vez mais diminuídos em relação ao poder dos tribunais. Agora, os a favor do aborto tem sido sábio, sobre isso nos últimos, digamos, 10 anos, e os cristãos, muito tolos e às vezes, me pergunto, onde estamos, porque os a favor do aborto têm usado os tribunais para seus fins em vez dos legislativos. Porque os tribunais não estão sujeitos ao pensamento das pessoas, nem a sua vontade, seja por eleição ou reeleição. Consequentemente, os tribunais têm sido o veículo usado para trazer toda essa visão e forçar a nossa população total, principalmente os legislativos. O resultado é um sistema de valores relativista, uma falta de qualquer significado final para a vida. Por que a vida humana teria algum valor?
Isso é tudo, na realidade, que não apenas nós, vamos morrer individualmente, mas toda a raça humana vai morrer um dia. Não precisamos levar em conta a queda das bombas atômicas, um dia o mundo ficará muito quente, muito frio, isso é o que nos é dito nesta outra realidade final. E um dia todos nós estaremos mortos, não individualmente, mas toda a vida consciente neste mundo estará morta. Ninguém mais verá os pássaros voando, não haverá mais sentido para a vida. E eu não falo só academicamente, trancado em um cubículo escolar.
Há muitos jovens e mais velhos que não estão vivendo em um ambiente romântico. Eles percebem qual é a situação, eles não conseguem encontrar nenhum significado para a vida. O significado da poesia negra é o significado das peças negras, é o significado de tudo isso, é o significado das palavras punk rock (gênero musical contracultural, caracterizado pela energia crua, letras de protesto antissistema).
Com base no que estão aprendendo na escola, a realidade final é apenas essa coisa material. Eles não estão errados eles estão certos. Nessa outra base, não há significado para a vida e não apenas não há significado para a vida, mas, não há um sistema de valores fixo.
Descobrimos que a lei se baseia apenas em uma base relativista, e essa lei se torna puramente arbitrária. Isso é trazido à tona, especificamente, e talvez mais claramente nas escolas públicas.
Neste país, nos tribunais deste país, é absolutamente ilegal desde as séries mais baixas até a universidade, que as escolas públicas ensinem qualquer outra visão de mundo exceto esta visão de mundo material, de energia final. Isso é feito independentemente do que os pais possam desejar, isso é feito independentemente do que aqueles que pagam os impostos para suas escolas possam desejar. Essa visão, da falsa visão da realidade sobre a população total não importa.
Descobrimos que recentemente na revista Time, havia um artigo que dizia que havia uma pesquisa que apontava que cerca de 76% das pessoas neste país achavam que seria uma boa ideia ter a criação e a evolução ensinadas nas escolas públicas. Não sei se a pesquisa é precisa, mas assumindo que a pesquisa seja precisa, o que isso significa? Significa que as escolas públicas são informadas pelos tribunais de que não podem ensinar isso, embora 76% das pessoas nos Estados Unidos queiram que isso seja ensinado. Vou dar uma palavra para isso: tirania. Não há outra palavra que se encaixe em tal ponto.
Ao mesmo, tempo descobrimos que a profissão médica mudou radicalmente o doutor Kulp em nossos seminários sobre o que aconteceu com a raça humana, costumava dizer que, quando ele se formou na faculdade de medicina, a ideia era: como posso salvar esta vida? Mas, para muitos estudantes de medicina agora, não é como posso salvar esta vida, mas, devo salvar esta vida?
Isso está em todo lugar, não é apenas aborto é fanticídio, é permitir que os bebês morram de fome depois de nascerem, se não atingirem o conceito de qualidade de vida que vale a pena ser vivida, por algum médico. Não esqueçamos que muitas vezes leva cerca de 15 dias para esses bebês morrerem de fome. Não há método de aborto que não seja doloroso para a criança.
Descobrimos que a profissão médica mudou muito. Tenho certeza de que há médicos aqui na plateia que pensam de forma muito diferente, que realmente sentem que a vida humana é importante, que não aceitaria isso facilmente.
Precisamos assistir aos programas de TV e ouvir sobre o aumento das matérias sobre eutanásia, permitindo que a criança com síndrome de Down morra de fome se nascer dessa forma. Cada vez mais descobrimos que em todos os lados, a profissão médica mudou suas visões. A visão agora é: vale a pena salvar esta vida?
Vamos refletir que isso também se aplica a nós, que isso não parar somente no aborto, na síndrome de Down. Há na Inglaterra uma organização horrível que ensina aos idosos a cometer suicídio. Devemos ajudá-los a se livrar dos idosos porque são um fardo econômico incômodo?
Quero dizer a todos que começam a minar a profissão médica; o valor intrínseco da vida humana está fundamentado no conceito judaico cristão, de que o homem é único, porque foi feito à imagem de Deus. Seu valor não é porque ele é um consumidor forte, o objeto sexual ou qualquer outra coisa. Seu valor é intrínseco, porque ele é único no universo, pois foi feito a imagem de Deus.
Caso contrário, qualquer compaixão que este país tenha, certamente está longe de ser perfeita e nunca foi perfeita nem depois da reforma. Houve uma era de ouro, mas qualquer compaixão que já tenha existido está enraizada no fato de que nossa cultura sabe que o homem é único pois foi feito a imagem de Deus.
Situação que pode muito bem ser aplicado no Brasil atual, e bem exemplificado nos países onde a ditadura da toga foi instalada para perpetuar os tiranos no poder.
Este texto traz a reflexão sobre o meu encontro com Dalete, que logo depois vim saber que é um nome bíblico, que significa Porta, e que foi o estímulo para que eu desse o primeiro passo para a construção da minha Árvore do Amor Inclusivo. Vejamos as implicações...
Quando Jesus fala da Porta Estreita, Ele não estava falando sobre quantas pessoas cabem, estava falando de algo completamente diferente. É algo mais próximo de pressão, a porta não é estreita porque a graça é escassa, é estreita por causa do que o caminho faz com você ao atravessá-la.
O Mestre orientava para entrar pela Porta Estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que leva a perdição, e muitos são os que entram por ela. Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva a vida, poucos são os que entram por ela.
Jesus não está interessado em nos dar uma estimativa da população do céu, está interessado em que tipo de caminho estamos trilhando. A palavra traduzida como estreita é a palavra grega estenose, que significa Estreito. É o tipo de estreiteza que se sente quando um corredor se fecha, como quando um desfiladeiro se estreita, quando não há espaço de nenhum dos lados, confinado, constrito, comprimido.
É a palavra que dá origem ao termo médico estenose, estreitamento perigoso de um vaso sanguíneo ou de uma válvula, o tipo de aperto que o corpo não consegue suportar.
Há um momento no antigo testamento grego que mostra exatamente o que essa palavra significa. No livro de Números, o profeta Balaão está cavalgando seu jumento por uma estrada e um anjo do senhor bloqueia o caminho. O texto diz que o anjo ficou de pé num lugar estreito, onde não havia como virar nem para a direita nem para a esquerda (Números 22:26).
Um lugar estreito não é apenas um lugar pequeno, é um lugar sem espaço para se desviar. Você não pode vagar para a esquerda, não pode se afastar para a direita, as paredes o mantêm numa única linha. Isso é estreito, não se trata de exclusão, trata se de restrição. O caminho Estreito é o caminho que não permite que você se espalhe.
Observe que na história de Balaão, o lugar Estreito, onde o homem finalmente enxerga o anjo, lhe faltava a constrição. Não é um castigo, é o lugar onde ele é finalmente forçado a prestar atenção, porque não há outro lugar para olhar.
A palavra pode significar estreito, apertado ou constrangido, assim como angústia, problema, aflição e sofrimento. A raiz por trás disso significa amarrar, sitiar, pressionar por todos os lados. A palavra para o espaço físico apertado e a palavra para angústia emocional são a mesma coisa. Está num lugar Estreito é estar em angústia, ser espremido pela vida.
Quando Davi clama nos Salmos que está em apuros, observamos a imagem por trás da palavra. Um homem encurralado num desfiladeiro, paredes se fechando ao seu redor, sem espaço para virar à esquerda ou à direita, com inimigo à sua frente.
Estreito e difícil não são duas ideias distintas, são um só o lugar. Estreito é um lugar difícil, a estrada apertada, a estrada problemática. Isso está intrínseco ao vocabulário evangélico e o contraste que Jesus estabelece, torna o ponto ainda mais claro. O portão largo recebe o nome próprio e a estrada ampla outro. A estrada para destruição é chamada de espaçosa, ampla, com muito espaço para se espalhar, onde há espaço para tudo. Nessa estrada há espaço para carroça, para carga, para toda a caravana e todas as versões de si mesmo que a pessoa nunca quis abandonar.
É esse exatamente o problema, uma estrada com espaço infinito para vagar, uma estrada que não exige nada da pessoa, não corrige nada. A pessoa pode perambular para onde quiser, com a inclinação dos seus próprios desejos. A estrada espaçosa dar sensação de Liberdade. Na verdade, é apenas a ausência de algo que o prenda a uma direção. Isso significa que, quando Jesus está descrevendo uma entrada estreita, está descrevendo o modo de vida que pressiona, que prende a pessoa a uma linha que não lhe dá espaço para carregar tudo o que se quer.
Jesus não deixa a porta como um objeto, Ele o transforma em pessoa. Mais tarde Ele diz isso claramente: eu sou a porta, se alguém entrar por mim será salvo, entrará, sairá e encontrará pastagem (João 10:9); e então, ainda mais diretamente: eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai se não for por mim (João 14:6).
Esta é a porta estreita, porque é uma só. Não porque a graça seja escassa, mas porque há uma única porta e a porta tem um nome, e o nome é Jesus. O caminho da verdade é Estreito. Não é uma falta de generosidade, é simplesmente a verdade. Há uma ponte sobre o desfiladeiro, e atravessá-la não é exclusão, é resgate.
Há algo de terno escondido nessa imagem da porta. No deserto da Judéia, um pastor costumava construir um cercado rústico de pedras para abrigar o rebanho à noite, com uma única abertura na parede. O próprio pastor se deitava sobre essa abertura, seu próprio corpo se tornava a porta, nada entrava no cercado e nenhuma delas escapava, exceto por meio dele. Então, quando Jesus diz eu sou a porta, Ele não está descrevendo uma barreira que impede a entrada de pessoas, está descrevendo um pastor que se deitou na única abertura, de modo que o caminho para a segurança passa pelo seu próprio corpo. A porta estreita tem a forma de uma pessoa deitada na passagem.
Agora, observemos o que Jesus diz a seguir. Ele adverte que chegará o dia em que o dono da casa se levantará e fechará a porta. As pessoas do lado de fora começam a bater, o Senhor abre a porta. Elas dizem, listando suas credenciais: jantamos com o Senhor, o Senhor deu aulas em nossas ruas. A questão não é que a porta seja pequena, a questão é que a porta está aberta agora e não ficará aberta para sempre. O convite tem um prazo, isso não é maldade, é honestidade sobre o fato de que portas se fecham, que decisões não podem ser adiadas, indefinidamente. Que o depois é apenas uma estrada larga, disfarçada. Quantos serão salvos? Apenas alguns poucos.
Jesus diz que virão pessoas do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e se sentarão à mesa no Reino de Deus (Lucas 13:29). De todas as direções vem multidões de todos os cantos da Terra, afluindo para se sentar à mesa no banquete. O convite é lançado ao mundo inteiro, esse é o paradoxo. As línguas originais preservam uma única porta, mas todos são convidados a passar por ela. É única, mas a recepção atrás dela é calorosa e espaçosa.
O Mestre suportou verdadeira pressão no Jardim do Getsêmani, onde orou em agonia, prevendo o sofrimento na Cruz, onde todo o peso dos pecados do mundo desabaria sobre Ele. O caminho Estreito de sofrimento, que ninguém mais conseguia percorrer, Ele percorreu até o fim, e abriu a porta do outro lado de modo que o portão pelo qual jamais conseguiríamos forçar a passagem, permanece aberta.
Se estou seguindo a vontade de Deus, e sinto que é difícil, opressivo, custoso como um desfiladeiro, sem espaço para me desviar, eu estou exatamente onde deveria estar. A dificuldade não é prova de que me perdi, a Porta Estreita sempre foi descrita como aquela que leva à estrada comprimida. Dificuldade na estrada certa, é evidência de que estou no Caminho da Verdade. Na estrada, às vezes a dificuldade é o sinal de que eu ainda estou no caminho e não fora dele. Existe a tendência de presumir que, se algo vem de Deus deve ser fácil e que o atrito significa que cometemos um erro. O vocabulário dessa passagem evangélica corrige silenciosamente essa suposição. O bom caminho nunca foi anunciado como mais fácil. Vale a pena ser honesto também sobre o outro caminho, porque o caminho largo é o padrão, é o caminho que se acaba por decidir, por se deixar levar, por fazer o que é fácil, o que todo mundo faz, e o que não exige nada de ninguém.
É por isso que Jesus precisou ordenar as pessoas que entrassem pela porta estreita. Ninguém precisa de ordem para entrar na estrada larga, a pessoa já está nela. Não é que a pessoa seja obviamente má. É que ela quer apenas viver, com simplicidade, com prazer, com todos os penduricalhos que o Ego exige.
Então, a questão é que nós estamos tentando carregar uma bagagem que a Porta Estreita não permite. Podemos estar exaustos, não porque a estrada seja difícil demais, mas porque estamos arrastando uma caravana carregada de trecos materiais por essa trilha. O ressentimento que fica, de não querermos largar a vida dupla que estamos tentando manter, a imagem de nós mesmos que recusamos abandonar, a queixa que ensaiamos tantas vezes de mudar o caminho que parece fazer parte de quem somos.
A Porta Estreita não está pedindo que você seja mais forte para carregar tudo para dentro, está pedindo que coloquemos tudo no chão para poder passar. A pressão que iremos sentir pode ser uma forma das paredes dizerem o que deve ser abandonado, que deve ser expulso o que está nos esmagando.
Nós não precisamos abrir caminho até Deus com pura força de vontade, agarrando-nos a uma estrada difícil demais para qualquer ser humano. Esse nunca foi o acordo, o esforço que Jesus exige não é o esforço de alguém tentando merecer a entrada, é o esforço de alguém que já encontrou a única porta, que se recusa a ser impedido de entrar. Alguém que não vai voltar para o caminho largo, alguém que continua caminhando sob pressão, porque sabe o que está do outro lado.
Esforcemo-nos para chegar à porta, sim, mas a porta é uma pessoa que já percorreu o trecho mais difícil à nossa frente, e que está do outro lado, segurando aberta, chamando pessoas de todas as direções.
Estreito significa apertado, significa um caminho que te prende a uma só linha e que não permite que você carregue toda a sua vida antiga. Significa uma estrada com um custo real, que leva uma vida real, por uma única porta real.
O espaço largo e fácil sempre esteve disponível, não exige nada e não leva a nenhum lugar bom. O outro caminho é apertado, pressiona e custa as coisas que você nunca deveria ter guardado, mas leva para casa.
A Porta que parece Estreita demais para passar, acaba sendo uma Pessoa de braços abertos, chamando de todas as direções. A pessoa que não anda no conselho dos ímpios, que não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes o seu prazer deve está na lei do senhor e na sua lei medita de dia e de noite. Ela é como árvore plantada junto à corrente de águas que no devido tempo dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha, e tudo quanto ele faz será bem sucedido.
Com estas reflexões posso imaginar se estou fazendo a vontade do Pai no meu relacionamento com Dalete. Se ela significa a Porta que Deus colocou no meu caminho para me testar, vamos ver como estou me saindo nesse teste. Dalete, a Porta, não está definida como Estreita ou Larga. Quem vai definir isso é o meu comportamento. O principal teste é quando deito na mesma cama, ao seu lado, sentindo o seu corpo semidespido perto de mim. Aqui está a hora do teste. Meus instintos masculinos, a cabeça da luxúria do Behemoth está ativa, enche minha mente de desejos, de usar esse corpo que implicitamente está à minha disposição. Ela nessa perspectiva é a Porta que dará acesso ao caminho Largo, do prazer, da posse. Mas, ao mesmo tempo chega na mente a consciência do mEu espírito, de fazer a vontade do Pai, de fazer ao próximo aquilo que eu desejaria fosse feito a mim se eu estivesse no lugar dele. Então, me coloco no lugar de Dalete, a vejo impassível ao meu lado, submissa, mas não expressa nenhum movimento que indique querer o ato sexual que o Behemoth tanto deseja, mesmo que não haja intensão de penetração. Então percebo que se eu estivesse no lugar dela não iria querer tal comportamento sexual, portanto, devo conter todos os ímpetos instintivos. Mantenho o meu corpo impassível junto ao corpo dela, sentindo que entrei pela Porta dela no caminho estreito, que não posso me desviar nem para a esquerda, nem para a direita. Deverei ficar sob essa pressão das paredes do caminho Estreito sobre o meu comportamento. O dia amanhece e estou firme no caminho Estreito, não saltei para o caminho Largo.
Acredito que Pai está satisfeito comigo. Ele preparou essa pessoa que recebeu um nome tão apropriado para iniciar a minha missão, que colocou ao meu lado como um batismo de iniciação. Agora posso colocar outros diversos ramos na minha Árvore do Amor Inclusivo, pois estou com um grande crédito frente ao Pai, com o meu relacionamento fraterno junto a Dalete, a Porta que pode se abrir tanto para o caminho Estreito quanto para o caminho Largo, assumindo diversas identidades, de amiga, amante, filha ou até mesmo neta.