Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
22/01/2026 01h03
PESO CORPORAL, O EIXO ESPIRITUAL

            Fiquei motivado a escrever este texto por ver pessoas, amigos, parentes e pacientes, que ficam interessados na minha forma de manter o meu peso corporal dentro de limites confortáveis, sem uso de substâncias químicas que são usadas com esse objetivo.



            Quero esclarecer que, não sigo nenhuma rotina ou disciplina das muitas que existem ao nosso dispor, com dietas, jejuns e medicamentos. Procuro ler e refletir sobre todas as que existem e que chegam ao meu alcance. Daí eu vou pinçando aquelas que fazem mais sentido para mim e procuro colocá-las em prática dento de minhas possibilidades.



            Elegi três eixos de atuação: espiritual, dieta, exercícios físicos, que irei abordar cada uma delas a partir deste texto.



            O eixo espiritual é o principal e quem vai dar a motivação para os outros dois funcionarem. Procuro compreender que a fome, o desejo da procura por alimento que faz o aumento do peso, está dentro dos nossos instintos e que é representado pelo monstro bíblico, o Beemote, cuja cabeça da Gula é a que nos leva a consumir alimentos além da necessidade orgânica.



É aqui que o nosso espírito deve se posicionar para fazer o confronto com a fera energética do Beemote, se alimentar o suficiente para manter o bem-estar do corpo, e se ele já esta em sobrepeso ou obeso, então o confronto é para se alimentar abaixo do necessário.



            Lembrar que as sete cabeças do Beemote correspondem aos sete pecados capitais, orientado pela igreja católica. Esse monstro energético existe dentro de nós, criado pelo próprio Deus para garantir a motivação do nosso comportamento na sustentação da vida, tanto com relação a preservação do corpo físico quanto a preservação da espécie.



            A preservação do corpo físico é uma responsabilidade direta da cabeça da Gula. As demais cabeças, Ira, Soberba (Orgulho), Avareza, Inveja, Preguiça e Luxúria, tem uma responsabilidade indireta sobre a manutenção do corpo.



A cabeça que aparentemente não tem responsabilidade com a manutenção do corpo é a Luxúria. Ela motiva o comportamento da pessoa com outra do sexo oposto com o objetivo sexual e a consequência da geração de filhos. Esta é a estratégia a longo prazo, para garantir a existência do nosso corpo pelo processo da herança genética. É uma estratégia que necessita da participação da pessoa do sexo oposto, portanto não é uma herança 100% do indivíduo, e sim 50% de cada um dos parceiros na relação sexual.



            Esta é a dinâmica que Deus organizou no processo evolutivo de nossa criação, passando dos seres inorgânicos para os orgânicos, dos seres uni para os pluricelulares, dos seres irracionais para os racionais, dos seres animalescos para os seres angelicais.



            A ciência nos ajuda, com a participação da tecnologia, a nos aproximar dessa Verdade, pelos estudos de grandes cientistas e pensadores como Darwin, Freud, Newton, Einstein, etc.



            Por outro lado, a religião, com a participação de grandes avatares da humanidade, como Buda, Krishna, Sócrates, Confúcio e principalmente Jesus, mostram a existência de valores espirituais, além do progresso material, e mostram o Caminho alicerçado na Verdade que leva a Vida na dimensão espiritual na aproximação gradual com o Criador.



            Toda esta dinâmica da vida corporal está sob a gerência direta do Espírito, pois é neste que está localizada a centelha divina, recebida no ato da criação. É aqui que a dinâmica corporal amadurecida pelo processo evolutivo, entra em confronto com a dinâmica espiritual, cada uma com sua missão.



            A missão do corpo é seguir pelo progresso animal, obedecendo com firmeza às motivações instintivas da carne, identificada por Freud como a força do Ego, localizada entre o Id (instintos) e o Superego (leis sociais). Quanto mais a pessoa segue neste progresso animal, mais ela é considerada egoísta, pois tudo faz para conseguir os benefícios exclusivos para si e sua parentela, mesmo que prejudique os direitos das outras pessoas.



            Portanto, para termos sucesso no controle do peso corporal é fundamental que tenhamos a compreensão dessas duas motivações e suas origens, física e espiritual. Compreendermos que para controlar o corpo não basta controlar a cabeça da Gula, e sim domesticar todo o Beemote, mesmo que não consigamos fazer isso, nem em sua completude nem de forma imediata.



            É importante que tenhamos essa compreensão toda vez que nos motivamos a ir a um restaurante, encher o prato no self-service, e ficar com ele à nossa frente no ato de nos alimentar. Lembrar que todas as nossas ações que praticamos até chegar a este momento que o prato estar à nossa frente, foi tudo motivação do Beemote, através da sua cabeça da Gula. Mas, a decisão de pegar o talher e começar a alimentação propriamente dita, é gerenciada pelo Espírito. Podemos ingerir apenas uma parte do prato que foi montado, ou, de forma mais radical, deixar de lado todo o prato montado e tomar simplesmente um copo d’água.



            Este é o primeiro passo para quem deseja assumir o controle do peso corporal. Tratar a motivação corporal da busca por alimento, como desejo instintivo do nosso monstro Beemote, que não podemos destruí-lo, mas podemos domesticá-lo.



            Iniciar fazendo pequenos testes de domesticação da nossa fera interna, como o treinador de feras em um circo, que consegue domesticar o seu animal e se apresentar com ele na frente do picadeiro.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 22/01/2026 às 01h03
 
21/01/2026 00h01
EFEITO LUCIFERINO

            A Guerra Espiritual, milenar, com origem na revolta luciferina na dimensão espiritual e consequência, hoje, na dimensão material, tem como o grande líder das hostes celestiais, divinas, o Messias, judeu, Jesus Cristo.



            A evangelização que ocorre no mundo, promovido pelos discípulos do Cristo, é a forma de esclarecimento necessária para que nós, humanos, saibamos da existência do Criador, o nosso Pai universal, e que Sua vontade é que nós, a obra prima de Sua criação, consigamos evoluir com nossos próprios esforços até alcançar um grau de pureza moral, espiritual, suficiente para nos agregarmos à essência divina.



            Esta é a essência psicopatológica dos nossos males, a influência maléfica dos principados e potestades das esferas espirituais, que influenciam os nossos instintos animais a permanecerem fixos no progressismo material. Fazem evoluir, de forma cancerígena no contexto da humanidade, grupos de indivíduos que se articulam para dominar e escravizar coletividades humanas, sequestrar e sugar de forma parasitária o trabalho coletivo de nações, deixando um rastro de destruição por onde passam.



            Este efeito doentio das influências luciferinas sobre o corpo da humanidade é bem identificado nos países que se tornam sequestrados pelas ações revolucionárias que têm sua origem desde o “Não servirei”, dito por Lúcifer ao Criador. Esta revolta nas esferas celestiais, por Anjo tão evoluído, serve como lição preventiva no nosso aprendizado humano, de não subestimar sentimentos de origem interna, como o orgulho, a soberba, que podem contaminar todo o processo de pureza que nós possamos conquistar dentro do nosso processo evolutivo.   



            Mas antes de chegar ao nível coletivo das nações, o efeito doentio das influências luciferinas sobre o nosso psiquismo, passam pelos efeitos individuais. O nosso bem-estar bio-psico-social-espiritual passa a ficar comprometido pelas falsas narrativas luciferinas, narradas de forma simbólica no livro bíblico de Gênesis, na conversa da Serpente com Eva.



            Também podemos observar a narrativa luciferina fora dos livros bíblicos, religiosos. Vejamos um trecho do diálogo oferecidos para nós como lazer, na série de título bem sugestivo, “Lúcifer”. Logo na abertura da primeira temporada, Lúcifer está de férias na Terra, dirige em alta velocidade, e é abordado por um policial...



- Sabe por que te parei?



- Óbvio que precisou exercer seus poderes limitados e me punir por ignorar o limite de velocidade. Tudo bem, eu entendo. Eu também gosto de punir as pessoas. Pelo menos, costumava gostar.



- Documentos e habilitação.



- Agora mesmo (retira um monte de dinheiro e fica a contar).



- Estar tentando me subornar, senhor?



- É claro. (mostra uma parte do monte do dinheiro) – não é o bastante? Então pegue mais, é só dinheiro.



- Isso é ilegal, senhor.



- Vocês são divertidos com suas leis, não é? Por vezes você quebra as leis, não é?



- Por vezes, ligo a sirene e sem motivo, dirijo muito rápido. Sem nenhuma razão. Só porque eu posso.



- Certo? Por que não? É divertido. É legal se safar de algo, não é?



- Sim... (cara de arrependido).



- Tudo bem, policial. As pessoas gostam de contar-me coisas. Esses desejos profundos, impertinentes, escuros, que estão em sua mente. É um dom. deve ser algo sobre essa cara (mostra o seu rosto bonito, alegre, afável). Está tentado a aceitar, não está? (policial balança a cabeça afirmativamente). Que está esperando? Permissão? Pegue. Compre algo bonito para si. Você merece. (policial, calado, recebe o dinheiro que ele oferece). Se não se importa, preciso mesmo ir.



- Sim, claro. Tenha uma boa noite.



- Para você também, policial... pra você também.



            Eis um bom exemplo de nossa realidade, da batalha espiritual que está em desenvolvimento em nossos mais simples atos, relacionamentos interpessoais. As influências luciferinas estão por toda parte, no motorista abastado que dirige seu carro veloz e que corrompe o policial que procura fazer o seu dever, mas também possui uma base biológica animal, sensível aos apelos luciferinos. Tanto um quanto o outro, corrupto e corruptor, são nossos irmãos, animais que possuem a centelha divina em sua criação, mas que não conseguem emitir sua luz divina na consciência e termina prevalecendo a luz negra de Lúcifer.



            Interessante é que o instrumento dessa corrupção é o dinheiro intercambiado por estruturas psíquicas do poder, daquele que está com o dinheiro e daquele que tem o cargo policial. E a origem do dinheiro vem sempre do trabalho humano, que os corruptos, ativos e passivos, passam a usá-lo para seus próprios interesses individuais.



            Esta pode ser a verdadeira etiopatogenia das doenças mentais, com o início à nível mental, espiritual, que impacta o psicológico e se derrama pelo corpo na forma de transtornos psicossomáticos.



            O que fazemos na psiquiatria com os recursos da psicoterapia e da psicofarmacologia, principalmente, é corrigir as alterações bioquímicas ocorridas nos níveis de neurotransmissores cujos neurônios são impactados pelo desvio de seus caminhos naturais, da harmonia fraterna entre todas as criaturas.



 


Publicado por Sióstio de Lapa
em 21/01/2026 às 00h01
 
20/01/2026 00h01
MESSIAS, JUDEU

            A guerra espiritual, um conceito religioso que merece reflexões acadêmicas, tem uma dimensão global que mostra sua realidade. Como é que o nosso avanço científico e tecnológico, apoiado numa capacidade racional para discernir a verdade da mentira, o bem do mal, continua a perpetuar guerras fratricidas por todo o globo? Entendendo a nossa criação humana, como reflexo do Criador e para o qual podemos nos aproximar com nossos recursos cognitivos, conforme Sua vontade, por que nos comportamos de forma tão diferente e parece que estamos nos distanciando dEle?



            É neste ponto que parece lógico que alguma influência contrária a vontade do Criador, esteja interferindo no nosso psiquismo para nos desviar desse caminho espiritual que nos levaria para a intimidade com a essência do Pai, o amor incondicional.



            Entendendo o Espírito como o agente da vida, que dá existência racional ao corpo físico, é sobre esse agente espiritual humano que a influência contrária ao Divino se manifesta. Ela induz o seu raciocínio maléfico, dos valores materiais, egoístas, levando a pessoa a seguir o progressismo material com toda fúria e sagacidade contra o direito dos outros, até encontrar o fim com a morte do corpo físico.



            Porém, na dimensão espiritual existem espíritos bem desenvolvidos em pureza, estando bem próximos do Criador e até se identificando com Ele, como é o caso de Jesus de Nazaré, considerado o Cristo de Deus.



            Foi observando esse caminhar da humanidade em direção à destruição, nesse progresso materialista, cheio de guerras e desrespeito pela vida, que o Criador enviou o Messias, já profetizado pelos profetas judeus. Este tinha a missão de salvar a humanidade, ensinando o Caminho da Verdade que leva a Vida no progresso espiritual em direção ao Pai.



            Neste ponto ficou bem clara a existência da guerra espiritual, com o primeiro duelo do demônio com o Cristo, no deserto. Mas, as lições do Cristo deviam ser levadas para toda a humanidade e para isso Ele escolheu doze pessoas como apóstolos, alunos mais frequentes e profundos, como os mensageiros, os evangelizadores. E para que essas lições tivessem a força de penetração no psiquismo das pessoas, algo mais forte devia acontecer, a sua própria morte, sob injúrias e torturas até o ápice da crucificação vergonhosa. Ele cumpriu Sua missão com perfeição e suas lições servem até hoje como as principais armas espirituais para nos livrar das falsas narrativas demoníacas.



            Apesar do esforço do Cristo e dos seus apóstolos, discípulos e todos que se mostram verdadeiros cristãos, os principados e potestades trevosos continuam influenciando mentalmente as pessoas e hoje vemos uma batalha acirrada no campo espiritual, representada aqui na dimensão espiritual o Cristianismo x Comunismo, tendo o Messias, o judeu, como o nosso grande líder cristão.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 20/01/2026 às 00h01
 
19/01/2026 00h01
DINHEIRO

 



DINHEIRO



“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.”



 Paulo. (1a EPÍSTOLA A TIMÓTEO, capítulo 6, versículo 10.)



Paulo não nos diz que o dinheiro, em si mesmo, seja flagelo para a Humanidade.



Várias vezes, vemos o Mestre em contacto com o assunto, contribuindo para que a nossa compreensão se dilate.



Recebendo certos conselhos do povo que lhe apresenta determinada moeda da época, com a efigie do imperador romano, recomenda que o homem dê a César o que é de César, exemplificando o respeito às convenções construtivas.



Numa de suas mais lindas parábolas, emprega o símbolo de uma dracma perdida. Nos movimentos do Templo, aprecia o óbolo pequenino da viúva.



O dinheiro não significa um mal. Todavia, o apóstolo dos gentios nos esclarece que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males.



O homem não pode ser condenado pelas suas expressões financeiras, mas, sim, pelo mau uso de semelhantes recursos materiais, porquanto é pela obsessão da posse que o orgulho e a ociosidade, dois fantasmas do infortúnio humano, se instalam nas almas, compelindo-as a desvios da luz eterna.



O dinheiro que te vem às mãos, pelos caminhos retos, que só a tua consciência pode analisar à claridade divina, é um amigo que te busca a orientação sadia e o conselho humanitário.



Estamos dentro da Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM), tentando servir aos moradores conforme suas necessidades, e sabemos o quanto é importante o dinheiro para isso acontecer.



O dinheiro pode vir de várias formas, pelo trabalho duro que cada um fazemos em nossa labuta material, pelos eventos que realizamos com objetivo de arrecadação, e também pelas doações...



Eis o risco do dinheiro recebido de doações por pessoas que não entendem ou não sabem da existência de Deus e da vontade dEle em nossas vidas.



Não podemos administrar o dinheiro ou qualquer benefício recebido, que não seja dentro da vontade de Deus. O que podemos e devemos fazer é dizer aos irmãos quem trouxe tal benefício para a comunidade, e cada um dos beneficiados usará sua consciência para dar a melhor recompensa que tal doador merecer.



Nós, da AMA-PM, fazemos questão de não receber nenhuma recompensa dos bens que providenciamos, procuramos sempre doar com uma mão de tal forma que a outra não veja, para que não recebamos recompensas materiais em troca, pois só assim o Pai, que tudo percebe, registrará os nossos atos no Livro da Vida Eterna.



Não esqueçamos, responderemos a Deus pelas diretrizes que dermos aos benefícios que recebemos, e ai de nós, se materializarmos essa força benéfica no sombrio edifício da iniquidade!



UFRN/CCS/HUOL/DMC/Foco de Luz/AMA-PM/Cons. Consultivo em 19-01-26


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em 19/01/2026 às 00h01
 
18/01/2026 00h01
NICÓLIOS VER MANÓLIOS

            Como foi visto por Nicólios, o ajudante de Manólios, a aparência que agora o seu patrão apresentava, conforme Nikos Kazantzákis.



            No canto oposto da peça, Nicólios sobressaltou-se. Apoiou-se num cotovelo e viu o patrão, virado para a parede. Zombou:



            - Ei! Manólios, já chegou? Já terminou seus negócios?



            Manólios não se voltou. Apalpava o rosto em todos os sentidos. Estava desesperado. Não tinha desinchado, e devia estar cheio de feridas, pois sentia os dedos molhados e das mãos escorria um líquido espesso e pegajoso. “Estou perdido... Estou perdido...”, pensava. “Deve ser lepra!” Deitou-se de barriga para baixo, escondendo o rosto no travesseiro.



            Mas Nicólios insistia:



            - Divertiu-se muito, patrão? – continuou ele. – Os negócios correram bem?... Está cansado, meu velho; durma.



            - Estou perdido... perdido – murmurava Manólios, desesperado; - com certeza é lepra.



            Os primeiros raios do sol penetrando pelo postigo clareavam a cabana. Nicólios levantou-se para levar o rebanho ao pasto. No momento de transpor a porta voltou-se:



            - Até logo, Manólios!



            Manólios, num momento de distração, virou o rosto para responder; Nicólios viu-o, deu um pulo e correu para fora.



            - Santa Virgem – exclamou ele -, uma assombração!



            Os olhos de Manólios purgavam, o rosto supurava, gretado em todos os sentidos. Fez um esforço para falar; queria tranquilizar Nicólios, mas não pôde pronunciar uma só palavra. Fez um gesto com a mão, para sossegá-lo.



            Nicólios apoiara a cabeça ao batente da porta, com o corpo do lado de fora, prestes a fugir. Olhava, com os olhos esbugalhados... Pouco a pouco foi se habituando; o coração serenava.



            - Pelo amor do céu, é mesmo você, Manólios? – disse, enfim – Faça o sinal-da-cruz para eu ter certeza.



            Manólios fez o sinal-da-cruz; Nicólios encorajou-se então a transpor a porta, mas conservou-se a boa distância do patrão.



            - Que foi que aconteceu, meu pobre Manólios? – perguntou, penalizado. – Deve ter sido o Diabo que foi para cima de você e botou essa máscara. Deus me guarde! Com certeza é o Diabo. A mesma coisa aconteceu com meu avô.



            Manólios balançou a cabeça, voltou-se de novo para a parede, não querendo apavorar o companheiro, e fez-lhe sinal para que fosse embora.



            - Até logo! – repetiu timidamente Nicólios.



            E logo se pôs a correr, como se o Diabo lhe fosse no encalço.    



            Esta representação do rosto de Manólios afetado fisicamente por alguma força, que deformou de maneira monstruosa o rosto do rapaz, quando visto por outra pessoa, traz pavor. A imaginação do escritor, Nikos Kazantzákis, coloca uma realidade interna, energética, instintiva, que todos nós possuímos, e que é representado pelo monstro bíblico Beemote, para o exterior onde todos possam ver. Isso é o que causa medo em Nicólios, quando ele percebe a monstruosidade no rosto de Manólios. Nada tão sério quanto roubar bilhões do tesouro público, deixando os pobres contribuintes a viverem de miséria. Mas um simples desejo sexual, que coloca na face de uma pessoa honesta uma máscara monstruosa, quanto mais os corruptos que passeiam na mordomia ao nosso lado, com seus cargos comprados com as iniquidades que praticam, quantos monstros nos apavorariam, se pudéssemos ver as suas reais carantonhas, além dos seus colarinhos brancos.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 18/01/2026 às 00h01
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