Sióstio de Lapa
Pensamentos e Sentimentos
Meu Diário
06/06/2026 00h01
PARÁBOLAS DE JESUS NOS DIAS ATUAIS – 5. SERVO IMPIEDOSO

 



O Monitor do Mestre



Com a parábola do Servo Impiedoso, o Mestre queria dar continuidade aos seus ensinamentos. Ele queria que seus seguidores entendessem não apenas como o Reino cresce, mas também como devem viver aqueles que fazem parte dele.



Certo dia, Pedro veio até Jesus com uma pergunta que muitos provavelmente também tinham em mente. Ele perguntou: Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando ele pecar contra mim, até sete vezes?



Pedro provavelmente achava que estava sendo generoso. Alguns mestres judeus ensinavam que o perdão podia ser dado até três vezes. Pedro havia dobrado esse número e ainda somado mais um. Certamente Jesus se agradaria da sua proposta, mas Jesus deu uma resposta inesperada. Ele disse, não 7 vezes, mas 70 × 7.



Isso dá 490 vezes, mas Jesus não estava dando a Pedro um número para marcar numa lista. Ele queria dizer que no Reino de Deus o perdão não tem limite, não é algo que se mede ou se conta.



Para deixar essa lição clara, Jesus contou uma história, que seus ouvintes jamais esqueceriam. Ele disse que o Reino dos Céus é como um rei que decidiu acertar as contas com seus servos.



Ao começar, trouxeram-lhe um servo que devia uma quantia enorme 10.000 talentos. Como ele não podia pagar, o rei ordenou que ele, sua esposa, filhos e todos os seus bens fossem vendidos para cobrir a dívida. O homem caiu de joelhos e implorou-lhe, tenha paciência comigo, eu pagarei tudo.



Movido por compaixão, o rei cancelou toda a dívida e o libertou, mas ao sair aquele servo encontrou outro que lhe devia bem menos, apenas 100 denários. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, gritando, pague o que me deve o segundo servo caiu ao chão e suplicou: tenha paciência, eu pagarei. Mas o primeiro servo se recusou, em vez disso mandou prender o homem até que pagasse a dívida.



Quando os outros viram aquilo ficaram profundamente perturbados e contaram tudo ao rei. O rei mandou chamar o homem de volta e disse: servo mau, eu perdoei toda a sua dívida, porque você me implorou. Você não deveria ter tido misericórdia do seu companheiro como eu tive de você?! Irado, o rei o entregou para ser castigado até que pagasse toda a dívida.



Jesus terminou com este aviso: é assim que meu pai celestial fará com vocês se não perdoarem de coração o seu irmão.



A multidão sentiu imediatamente o peso daquela história, pois 10.000 talentos era um número inimaginável, equivalente a cerca de 150.000 anos de salário. Para um trabalhador comum era uma dívida impagável. Imagine dever bilhões de reais hoje, em contraste, 100 denários era uma quantia mais acessível, cerca de 3 meses de salário. Ainda significativo, mas nada comparado a dívida do primeiro homem, o primeiro servo que havia sido perdoado de uma quantia absurda, uma dívida de uma vida inteira apagada num instante, mas quando teve a chance de mostrar um pouco da mesma graça para outro, recusou.



A reação do rei ensina uma lição fundamental. Quem recebe misericórdia, deve oferecer misericórdia; quem é perdoado, precisa estar disposto a perdoar. Isso não significa que ganhamos o perdão de Deus ao perdoar os outros, mas sim, que se realmente entendemos o quanto fomos perdoados, não conseguimos deixar de perdoar também.



Jesus foi claro, receber a graça de Deus e compartilhá-la andam juntos, não dá para abraçar uma, ignorar a outra. Como disse, todos acham que o perdão é uma ideia maravilhosa, até que tenham algo a perdoar.



A história termina com um lembrete forte: o servo que não foi capaz de ser também piedoso com o próximo, foi entregue a punição. Jesus deixou bem claro, quem se recusa a perdoar, não deve esperar ser perdoado por Deus. Não porque Deus guarda rancor, mas, porque alguém que se recusa a perdoar, mostra que nunca entendeu de verdade a profundidade da misericórdia divina agora.



Vejo muito isso sendo realizado no trabalho que fazemos na Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM). Quantas pessoas que chegam procurando ser beneficiadas, com uma sexta básica, um peixe, um emprego, e depois voltam para suas vidas sem procurar fazer ao próximo aquilo que acabou de o beneficiar.



Temos que agir como o Pai agiria em nosso, lugar essa pessoa que foi beneficiada e que volta para o recanto do seu lar, da próxima vez não será beneficiada, o seu benefício passará para outra pessoa, que talvez cumpra com outro necessitado o benefício que recebeu.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 06/06/2026 às 00h01
 
05/06/2026 00h01
SONETO: PORQUE SOU TRISTE

PORQUE SOU TRISTE



 



Porque sou triste, me apresento em segredo



Mas em segredo o Pai desnuda a minha alma



E percebe logo a razão deste meu trauma



Que enegrece meu colorido com o medo



 



Por que sou triste, minh’alma, por que choro?



Por que tenho no meu peito tanta mágoa?



Se ventos frios enrijecem a minha alma?



Se é na gruta do desterro onde eu moro?



 



Talvez eu seja do Destino um bambolê



Que fica girando consigo as minhas dores



Até cair, por terra, os meus amores



 



Ah! Quanto eu queria ser capaz de ainda crê



Que nesta noite em minha alma, tão escura



Alguém trouxesse elixir, limpasse a amargura


Publicado por Sióstio de Lapa
em 05/06/2026 às 00h01
 
04/06/2026 00h01
SONETO: QUE REMÉDIO?

QUE REMÉDIO?



 



A quem amo, porque Deus assim mandou



Veio consigo um coração de tom sofrido



Que sente na vida por todos ser vencido



E pela porta do destino, desespero entrou



 



Assim atônito com meu pouco saber



Como posso tal dor fazer murchar?



Como posso tantas lágrimas represar?



E de apagar de sua sorte tal sofrer?



 



Quando ela chega com seus olhos enxarcados



E diz “adeus!”, para longe quer fugir



Dessas ondas de tristeza que tanto lhe persegue



 



Mas que remédio existe para dores ressecadas?



Qual é a tinta necessária para a vida colorir?



Qual o remédio eficiente para este mal, o negue?


Publicado por Sióstio de Lapa
em 04/06/2026 às 00h01
 
03/06/2026 00h01
SONETO: ALMA SOMBRIA

ALMA SOMBRIA



 



Tenho medo da luz, da claridade



Herança dos meus pais, tão enganados



Por vil serpente, em galhos, enlaçada



Com voz sutil, não perceberam a maldade



 



Hoje sinto minha alma perseguida



Por vil carrasco, me encho de pavor



Eu sinto as chamas do inferno, que calor



Esqueço ser, do Pai alma querida



 



Perdi o gosto de viver à luz do sol



De amar como aprendi, jamais amei



E dos lábios que sonhei, jamais beijei



 



Sou o retrato do pecado original



Sou um vilão, por nada condenado



Virei poeta para em rima ser amado!


Publicado por Sióstio de Lapa
em 03/06/2026 às 00h01
 
02/06/2026 00h01
PARÁBOLAS DE JESUS NOS DIAS ATUAIS – 4. O FERMENTO

 



O Monitor do Mestre



Jesus ensinou a parábola do fermento para reforçar a mensagem que Ele deu sobre o Reino de Deus. Foi uma ilustração curta, mas poderosa, que foi registrada por Mateus (13,33).



Jesus disse que o Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher misturou em 3 medidas de farinha até que tudo estivesse levedado. Ele usou uma imagem simples e familiar, que todos ali entendiam bem.



As mulheres na multidão assentiram com a cabeça, elas já tinham feito isso muitas vezes. Adicionar só um pouco de fermento à massa e ver tudo se transformar.



Imagine agora uma mulher em sua casa preparando o pão para seus familiares. Ela pega um punhado pequeno de fermento, quase invisível perto do restante da farinha. Amassa tudo com cuidado e espera. No começo nada parece mudar, mas aos poucos, de forma invisível aos olhos, o fermento começa a agir, hora após hora. A massa cresce, amolece e se transforma completamente. aquela pequena porção de fermento acaba modificando. Três medidas de farinha, suficiente para alimentar 100 pessoas. O processo é silencioso, escondido. mas incrivelmente poderoso, e uma vez iniciado não pode ser desfeito. A massa nunca mais será a mesma.  



Dessa mesma forma ensinava Jesus. O Reino de Deus não chega com força bruta ou conflitos externos, que começa nos corações das pessoas e se espalha de dentro para fora, transformando vidas, e com o tempo, comunidades inteiras.



É notável que Jesus tenha escolhido algo do cotidiano doméstico, algo feito por mulheres para explicar uma verdade tão profunda sobre como o seu Reino funciona enquanto muitos imaginavam o Reino de Deus chegando como um exército poderoso.



Jesus o descreveu através do trabalho simples e cuidadoso feito nas cozinhas. As medidas de farinha que ele mencionou, podiam alimentar mais de 100 pessoas. Ficou a lição que mesmo uma pequena quantidade de fermento tem poder para influenciar algo muito maior do que ela mesma.



Mais uma vez Jesus contrariava as expectativas da maioria sobre o Messias. As pessoas esperavam grandes exibições, vitórias militares e triunfos políticos, mas Ele dizia que o Reino é como o fermento. Ele age em silêncio, começa dentro das pessoas e se espalha devagar. Com certeza o fermento não transforma a farinha pela força, ele se mistura com ela, age por dentro mudando tudo, desde o interior.



Do mesmo modo, o Reino de Deus não se imponha as pessoas. Ele se transforma começando no coração. O fermento também representa a influência de apenas algumas pessoas, que vivendo os valores do Reino, podem deixar uma marca duradoura em toda uma sociedade.



Um pequeno grupo de discípulos verdadeiros pode impactar uma cidade inteira. A mensagem era clara, nunca subestime o que começa pequeno, se move em silêncio e cresce com constância.



naquele dia Jesus terminou suas histórias deixando as pessoas mergulhadas em reflexões. Mateus (3,34-35) registra que Jesus falou todas essas coisas as multidões usando parábolas.



Ele não ensinava sem usar histórias, isso cumpria o que havia sido anunciado pelo profeta: “falarei por meio de parábolas, revelarei coisas ocultas desde a criação do mundo”.



A luz do entardecer banhava o mar da Galiléia em um tom dourado, suave. As pessoas começaram a voltar para casa, algumas caminhando em duplas ou pequenos grupos, conversando sobre o que tinham ouvido, o que Ele quis dizer com o fermento, perguntou alguém. Você acha que somos o trigo ou joio? Como posso saber que tipo de solo é o meu coração? Outros se perguntavam em voz alta.



Jesus observava com um sorriso cheio de entendimento. Ele sabia que nem todos compreenderiam o significado de imediato, mas as sementes estavam na terra. As histórias que ele contou tinham o poder de alcançar o mais profundo do coração das pessoas, como o fermento que age em silêncio na massa, mudando aos poucos a forma como viam o mundo.



Naquele dia à beira-mar, Jesus plantou verdades que cresceriam por muitos anos. Ele mostrou que o Reino de Deus começa como algo minúsculo, como uma semente de mostarda. Age em silêncio como o fermento misturado à farinha, cresce mesmo em meio a oposição, como o trigo entre os joios e tudo depende de quão aberto está o coração de cada pessoa, como os diferentes tipos de solo.



essas primeiras parábolas prepararam o terreno para tudo o que Jesus ensinaria depois. Elas descreviam um Reino que não seguia os padrões do mundo. Esse Reino valorizava o que é pequeno, gentil, paciente e interno, em vez do que é barulhento, orgulhoso, imediato e externo. Era um Reino que começava no coração e se espalhava, transformando tudo o que tocava.



Agora podemos aplicar essas mesmas histórias nos dias atuais, refletindo no que construímos até hoje, no que existe e como pensamos e agimos, mesmo sabendo da existência de Deus, do Mestre e do Caminho da Verdade que Ele nos ensinou.


Publicado por Sióstio de Lapa
em 02/06/2026 às 00h01
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