A CADA UM
“Levanta-te direito sobre os teus pés.” - Paulo.
(ATOS, capítulo 14, versículo 10.)
De modo geral, quando estamos vivendo no mundo físico, apenas enxergamos os aleijados do corpo, os que perderam o equilíbrio corporal, os que se arrastam penosamente no solo, suportando escabrosos defeitos.
Não possuímos suficiente visão para identificar os doentes do espírito, os coxos do pensamento, os aniquilados de coração.
Onde existissem somente cegos, acabaria a criatura perdendo o interesse e a lembrança do aparelho visual; pela mesma razão, na Crosta da Terra, onde esmagadora maioria de pessoas se constituem de almas paralíticas, no que se refere à virtude, raros homens conhecem a desarmonia de saúde espiritual que lhes diz respeito, conscientes de suas necessidades incontestes.
Infere-se, pois, que a missão do Evangelho é muito mais bela e mais extensa que possamos imaginar.
Jesus continua derramando bênçãos todos os dias. E os prodígios ocultos, operados no silêncio de seu amor infinito, são maiores que os verificados em Jerusalém e na Galiléia, porquanto os cegos e leprosos curados, segundo as narrativas apostólicas, voltaram mais tarde a enfermar e morrer.
A cura de nossos espíritos doentes e paralíticos é mais importante, porquanto se efetua com vistas à eternidade.
Por isso que criamos a Associação Cristã de Moradores e Amigos da Praia do Meio (AMA-PM) para servir de um laboratório onde possamos aplicar as lições de Jesus dentro da comunidade.
Observamos as doenças físicas que cada morador apresenta e intuímos as doenças que lhe atingem a alma. Procuramos ajudar no possível para atenuas suas mazelas físicas e procuramos fazer, associado, a evangelização de suas almas.
Procuramos fazer este trabalho de forma honesta, coerente com os princípios cristãos, mesmo sabendo que a grande maioria não tem a percepção da importância dessas lições para a vida que realmente importa, a vida espiritual.
Mas nós, sim, sabemos que vida material é uma simples preparação para a eternidade de nossa vida espiritual. Devemos trabalhar para garantir a dignidade desta vida material, porém, principalmente, conquistar benefícios virtuosos, fazendo o bem ao próximo, mesmo que esse seja perverso ou ignorante.
É indispensável que não nos percamos em conclusões ilusórias. Agucemos os ouvidos, guardando a palavra do apóstolo Paulo aos gentios.
Imprescindível é que nos levantemos sobre nossos pés, individualmente, com tudo que estamos aprendendo do Cristo, para caminharmos em nosso próprio progresso espiritual, pois ajudando o próximo quem mais recebe ajuda divina somos nós.
UFRN/CCS/HUOL/DMC/Foco de Luz/AMA-PM/Cons. Consultivo em 22-06-26
Digitei este texto retirado do vídeo feito por Francis Schaeffer, da Escola Charles Spurgeon, Teologia com Espiritualidade, Cristo entre o alfa e o ômega, publicado há 9 anos no youtube e registrando 20 mil visualizações em 06-06-2026. Vejamos...
Os cristãos nos últimos 80 anos ou mais tem visto as coisas apenas como fragmentos, em vez de ver em coisas que gradualmente começaram a incomodar os cristãos e outras pessoas de boa vontade, como a permissividade excessiva, a pornografia, o problema das escolas públicas, a desintegração da família, o aborto, o infanticídio, a matança de recém-nascidos.
A ênfase crescente está na eutanásia dos idosos e em muitas outras coisas. Temos visto essas coisas como fragmentos isolados, em vez de entender que são o único resultado natural de uma mudança de uma cosmovisão cristã para uma visão humanística. Todas essas coisas e muitas outras, são apenas os resultados.
Podemos estar preocupados com coisas individuais, mas na realidade estamos perdendo a coisa toda, se não vemos cada uma dessas coisas e muitas outras, apenas como sintomas de um problema mais profundo.
Isso é uma mudança em nossa sociedade, uma mudança em nosso país, uma mudança no mundo ocidental, de um consenso judaico cristão para um consenso humanístico, que em vez da realidade final que existe, de ser Deus o criador infinito, em vez daquilo que é somente uma base de toda a realidade.
Havendo um Deus criador, agora e em toda parte, se confronta com a ideia de tudo é visto apenas como material ou energia que existiu para sempre, de alguma forma, moldada em sua forma complexa, atual, apenas por puro acaso.
Quero dizer a vocês, aqueles que são cristãos, ou mesmo aqueles que não são cristãos, que fiquemos preocupados com a direção que nossa sociedade está tomando. Que não devemos nos concentrar apenas em pedaços, mas devemos entender que todos esses dilemas surgem com base na mudança da visão do mundo judaico cristã, de que a realidade final é um Deus criador, pessoal, infinito, para esta outra realidade final, que é apenas energia ou matéria, em alguma mistura de formas que existiu para sempre, que tomou sua forma atual por puro acaso.
A palavra humanismo deve ser cuidadosamente definida. Não devemos usá-la apenas como uma bandeira, como o que os mais jovens podem chamar de palavra da moda. Devemos entender do que estamos falando quando usamos a palavra humanismo.
Humanismo significa que o homem é a medida de todas as coisas. O homem é a medida de todas as coisas se essa outra realidade final de material ou energia moldada pelo puro acaso, for a realidade final. Ela não dará sentido à vida, não dará nenhum sistema de valores, não dará nenhuma base para a lei, portanto, neste caso, o homem deve ser a medida de todas as coisas.
Portanto, o humanismo é adequadamente definido em contraste, digamo com as Humanidades ou o humanitarismo, que são algo totalmente diferente e dos quais os cristãos deveriam ser a favor. Humanismo sendo a medida de todas as coisas surge naturalmente, matematicamente, inevitavelmente, certamente, se de fato a realidade final silencia sobre esses valores.
O homem deve gerá-los a partir de si mesmo, portanto, o humanismo é o resultado absolutamente certo se escolhermos essa outra realidade final e dissermos que é isso que ela é. Você deve perceber que quando falamos do homem como a medida de todas as coisas, sob o rótulo humanista, a primeira coisa é que o homem só tem conhecimento de si mesmo, que ele é finito, limitado, muito falho em sua observação em muitas coisas.
Mas, não tem nenhuma fonte possível de conhecimento, exceto a ideia de que o homem começando por si mesmo, pode descobrir por sua própria observação, especificamente, que nesta visão não há lugar para nenhum conhecimento de Deus.
Mas não é só que o homem deve começar por si mesmo na área do conhecimento e da aprendizagem, mas em qualquer sistema de valores deve vir arbitrariamente do próprio homem, por escolha arbitrária. e mais assustadora ainda em nosso país e nosso próprio momento da história.
Qualquer base de lei se torna arbitrária: apenas certas pessoas tomando decisões sobre o que é para o bem da sociedade em um dado momento. Agora, esta é a verdadeira razão para o colapso da moral em nosso país, é a verdadeira razão para o colapso dos valores em nosso país, é a razão pela qual nossa Suprema corte agora funciona tão completamente com base no fato da lei arbitrária.
Eles não têm base para uma lei que seja fixa, portanto, como o jovem que decide deixar de viver hedonística amente com base em seus próprios valores arbitrários escolhidos a sociedade agora está fazendo a mesma coisa legalmente, mas algumas poucas pessoas se reúnem e decidem o que acreditam arbitrariamente ser para o bem da sociedade em um dado momento e isso se torna a lei
A visão de mundo de que a realidade final é apenas material ou energia moldada pelo puro acaso, inevitavelmente essa é a próxima palavra. Aumente matematicamente com certeza matemática, traz à tona todos esses outros resultados que estão em nosso país, em nossa sociedade, o que levou ao colapso do país, da sociedade, e que são suas tristezas atuais.
Então, se você tem essa outra visão de mundo você deve perceber que é inevitável que chegaremos às mesmas tristezas da relatividade e todas essas outras coisas que são tão representadas em nosso país neste momento da história.
Tenho uma dívida de gratidão com as prostitutas, e por isso, hoje, já graduado em medicina com a ajuda do trabalho delas junto com a administração de minha avó, procuro uma forma de abater a minha dívida.
Com essa intenção fui a um dos cabarés em Ceará Mirim e resgatei aquela que o Pai apontou para mim. A minha penetração naquele ambiente foi uma vitória para mim, pois os frutos do mEu espírito estavam na plenitude, na expressão das virtudes.
O Behemoth com sua cabeça da luxúria estava silente, sem suas manifestações instintivas. Tive a oportunidade de conversar e colocar essa profissional do sexo, GIL, dentro da minha Árvore do Amor Inclusivo. Ali estão a maioria das mulheres que foram indicadas pela cabeça da luxúria, mas que mEu espírito transforma em ramo da minha/nossa Árvore do Amor Inclusivo, onde elas possam florescer, dar os seus frutos e serem felizes, talvez construindo suas próprias famílias nucleares.
Acontece que, por várias circunstâncias, o Behemoth teve sua cabeça da luxúria voltada para EST, a professora que hoje, com sua história e necessidades, mas principalmente com a atração que exerceu sobre o Behemoth, fez o mEu espírito se voltar com grande prioridade para ela.
Por vezes fico confuso com essa engenharia relacional do Pai. GIL é mais jovem e mais acessível ao sexo que o Behemoth tanto quer, e EST é mais idosa e com a possibilidade do sexo mais remota. Por que, então, me sinto mais atraído por EST? É a professora com a missão .de educar as crianças que está no foco de minha atenção, enquanto fica em segundo plano, a prostituta que trabalha com o sexo, e certamente ficaria mais satisfeita com a ajuda que recebe se tivesse a possibilidade de recompensar com o seu trabalho.
Foi com a leitura do capítulo 22 do livro Boa Nova, de Chico Xavier/Humberto de Campos, que o Mestre me deu a lição através da lição que estava dando a Pedro.
Pedro estava preocupado com as leis dos homens, e perguntava ao Mestre: “A lei que nos rege manda lapidar a mulher que perverteu a sua existência. Por isso, os legisladores sempre ordenaram severidade e rispidez para com as decaídas. Observando os nossos costumes, Senhor, é que temo por vós, acolhendo tantas meretrizes e mulheres de má vida, nas pregações do Tiberíades...
Assim falou o Mestre, cheio de bondade...
- Nada temas por mim, Simão, porque eu venho de meu Pai e não devo ter outra vontade, a não ser de cumprir os seus desígnios sábios e misericordiosos. A lei antiga manda apedrejar a mulher que foi pervertida e desamparada pelos homens; entretanto, também determina que amemos os nossos semelhantes, como a nós mesmos. E o meu ensino é o cumprimento da lei, pelo amor mais sublime sobre a Terra. Poderíamos culpar a fonte, quando um animal lhe polui as águas? De acordo com a lei, devemos amar a uma e a outro, seja pela expressão de sua ignorância, seja pelos sentimentos. E o homem é sempre fraco e a mulher sempre sofredora!...
O velho pescador recebia a exortação com um brilho novo nos olhos, como se fora tocado nas fibras mais íntimas do seu espírito.
- Mestre - retrucou, altamente surpreendido -, vossa palavra é da revelação divina. Quereis dizer, então, que a mulher é superior ao homem, na sua missão terrestre?
- Uma e outro são iguais perante Deus – esclareceu o Cristo, amorosamente – e as tarefas de ambos se equilibram no caminho da vida, completando-se perfeitamente, para que haja, em todas as ocasiões, o mais santo respeito mútuo. Precisamos considerar, todavia, que a mulher recebeu a sagrada missão da vida. Tendo avançado mais do que o seu companheiro na estrada do sentimento, está, por isso, mais perto de Deus que, muitas vezes, lhe toma o coração por instrumento de suas mensagens, cheias de sabedoria e de misericórdia. Em todas as realizações humanas, há sempre o traço da ternura feminina, levantando obras imperecíveis na edificação dos espíritos.
Foi neste ponto específico que fiz a conexão da professora com a prostituta. Vejo a professora gastando os seus dias de vitalidade, os seus anos de juventude a ensinar e educar os filhos dos outros; vejo a prostituta gastando seus dias de vitalidade, os seus anos de juventude, a dar prazer sexual aos homens e alimentar o seu filho, ainda criança. Foi a prostituta que ajudou a proporcionar a minha educação em mais alto nível, proporcionado por outras mulheres que me ensinavam. Por isso, entendo agora com mais precisão, porque a minha Árvore do Amor Inclusivo possui mais mulheres que homens.
Aproveito neste texto para dar o prosseguimento a resposta que Jesus está dando a Pedro sobre as prostitutas, mulheres desventuradas, iniciada no texto do dia anterior.
- Por isso, as mulheres mais desventuradas ainda possuem no coração o gérmen divino, para a redenção da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade será, em todos os tempos, o grande roteiro para a iluminação do mundo, porque, sem o retorno do sentimento, todas as obras da razão humana podem parecer como um castelo de falsos esplendores.
Simão Pedro ouvia o Mestre, tomado de profundo enlevo e santificado fervor admirativo.
- Tendes razão, Senhor! – murmurou, entre humilde e satisfeito.
- Sim, Pedro, temos razão – replicou Jesus, com bondade. – E será ainda à mulher que buscaremos confiar a missão mais sublime na construção evangélica dentro dos corações, no supremo esforço de iluminar o mundo.
O apóstolo do Tiberíades ouvira as derradeiras palavras do Divino Mestre, tomado de surpresa. Conservou-se, no entanto, em silêncio, ante o sorriso doce do Messias.
Muito distante, o último beijo do sol punha um reflexo dourado no leque móvel das águas que as correntes claras do Jordão enriqueciam. Simão Pedro, fatigado do labor diário, preparou-se para descansar, com sua alma clareada pelas novas revelações da palavra do Senhor, as quais, cheias de luz e esperança divinas, dissipavam as obscuridades da lei de Moisés.
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Dois dias eram passados sobre o doloroso drama do Calvário, em cuja cruz do inominável martírio se sacrificar o Mestre, pelo bem de todos os homens. Penosa situação de dúvida reinava dentro da pequena comunidade dos discípulos. Quase todos haviam vacilado na hora extrema. O raciocínio frágil do homem lutava por compreender a finalidade daquele sacrifício. Não era Jesus o poderoso Filho de Deus que consolara os tristes, ressuscitara mortos, sarava enfermos de doenças incuráveis? Por que não conjurara a traição de Judas com as suas forças sobrenaturais? Por que se humilhara assim, sangrando de dor, nas ruas de Jerusalém, submetendo-se ao ridículo e à zombaria? Então, o emissário do Pai Celestial deveria ser sacrificado entre dois ladrões?!
Enquanto essas questões eram examinadas, de boca em boca, a lembrança do Messias ficava relegada a plano inferior, olvidada a sua exemplificação e a grandeza dos seus ensinamentos. O barco da fé soçobrara inteiramente, porque ali estavam as lágrimas do coração materno, trespassado de amarguras.
O Messias redivivo, porém, observava a incompreensão dos seus discípulos, como o pastor que observa o seu rebanho desarvorado. Desejava fazer ouvida a sua palavra divina, dentro dos corações atormentados; mas, só a fé ardente e o ardente amor conseguem vencer os abismos de sombra entre a Terra e o Céu. E todos os companheiros se deixavam abater pelas ideias negativas.
Foi então, quando, na manhã do terceiro dia, a ex-pecadora de Magdala se acercou do sepulcro com perfumes e flores. Queria, ainda uma vez, aromatizar aquelas mãos inertes e frias; queria, uma vez mais, contemplar o Mestre adorado, para cobri-lo com o pranto do seu amor purificado e ardoroso. No seu coração estava aquela fé radiosa e pura que o Senhor lhe ensinara e, sobretudo, aquela dedicação divina, com que pudera renunciar a todas as paixões que a seduziam no mundo. Maria Madalena ia ao túmulo com amor e só o amor pode realizar os milagres supremos.
Estupefata, por não encontrar o corpo, já se retirava entristecida, para dar ciência do que verificara aos companheiros, quando uma voz carinhosa e meiga exclamou brandamente aos seus ouvidos:
- Maria!...
Ela se supôs admoestada pelo jardineiro; mas, em breves instantes reconhecia a voz inesquecível do Mestre e lhe contemplava o inolvidável sorriso. Quis atirar-se-lhe aos pés, beijar-lhe as mãos num suave transporte de afetos, como faziam nas pregações do Tiberíades, porém, com um gesto de soberana ternura, Jesus a afastou, esclarecendo:
- Não me toques, pois ainda não fui ao meu Pai que está nos céus!...
Instintivamente, Madalena se ajoelhou e recebeu o olhar do Mestre, num transbordamento de lágrimas de inexcedível ventura. Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurreição era a essência divina, que daria eternidade ao Cristianismo.
A mensagem da alegria ressoou, então, na comunidade inteira. Jesus ressuscitara! O Evangelho era a verdade imutável. Em todos os corações pairava uma divina embriagues de luz e júbilos celestiais. Levantava-se a fé, renovava-se o amor, morrera a dúvida e reerguer-se o ânimo em todos os espíritos. Na amplitude da vibração amorosa, outros olhos puderam vê-lo e outros ouvidos lhe escutaram a voz dulçorosa e persuasiva, como nos dias gloriosos de Jerusalém ou de Cafarnaum.
Desde essa hora, a família cristã se movimentou no mundo, para nunca mais esquecer o exemplo do Messias.
A luz da ressurreição através da fé ardente e do ardente amor de Maria Madalena, havia banhado de claridade imensa a estrada cristã, para onde todos os séculos terrestres.
É por isso que todos os historiadores das origens do cristianismo param a pena, assombrados ante a fé profunda dos primeiros discípulos que se dispersaram pelo deserto das grandes cidades para a pregação da Boa Nova, e, observando a confiança serena de todos os mártires que se têm sacrificado na esteira infinita do Tempo pela ideia de Jesus, perguntam espantados, como Ernest Renan (Historiador e filósofo francês), em uma de suas obras:
- Onde está o sábio da Terra que já deu ao mundo tanta alegria quanto a carinhosa Maria de Magdala?
Tenho uma dívida de gratidão com as prostitutas. Sei que elas não sabem disso, mas sei que eu sei, e, principalmente, o Pai que tudo observa.
Quero fazer algo para ajudar, diminuir minha dívida. Por isso pedi ao Pai para levar minha consciência até aquele momento que o Mestre conversava com Maria de Magdala, e Ele consentiu.
- Senhor, ouvi a vossa palavra consoladora e venho ao vosso encontro!... Tendes a clarividência do Céu e podeis adivinhar como tenho vivido! Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. Entretanto, Mestre, observai como tenho sede do verdadeiro amor!... Minha existência, como todos os prazeres, tem sido estéril e amargurada...
As primeiras lágrimas lhe borbulhavam dos olhos, enquanto Jesus a contemplava, com bondade infinita. Ela, porém, continuou:
- Ouvi o vosso amoroso convite ao Evangelho! Desejava ser das vossas ovelhas, mas será que Deus me aceitaria?
O Mestre nazareno fitou-a, enternecido, sondando as profundezas de seu pensamento, e respondeu, bondoso:
- Maria, levanta os olhos para o Céu e regozija-te no caminho, porque escutaste a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias. Acaso poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado eterno? Onde, então, o amor de meu Pai? Nunca viste a primavera dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são as criaturas humanas; porém, as flores são as esperanças em Deus. Sobre todas as falências e desventuras próprias do homem e da mulher, as bênçãos paternais de Deus descem e chamam. Sentes hoje esse novo sol a iluminar-te o destino! Caminha agora, sob a sua luz, porque o amor cobre uma multidão de pecados.
A pecadora de Magdala escutava o Mestre, bebendo-lhe as palavras. Homem algum havia falado assim à sua alma incompreendida. Os mais levianos lhe pervertiam as boas inclinações, os aparentemente virtuosos a desprezavam sem piedade. Engolfada em pensamentos confortadores e ouvindo as referências de Jesus ao amor, Maria acentuou, levemente:
- No entanto, Senhor, tenho amado e tenho sede de amor!...
- Sim – redarguiu Jesus -, tua sede é real. O mundo viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreenda que em suas senhas a virtude tem de marchar por uma porta muito estreita. Geralmente, uma pessoa deseja ser boa como as outras, ou honesta como as demais, esquecendo que o caminho onde todas passam é de fácil acesso e de marcha sem edificações. A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria. Há os que amam os que lhes pertencem ao círculo pessoal, os que são sinceros com seus amigos, os que defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor. O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema.
Maria escutava, embevecida. Ansiosa por compreender inteiramente aqueles ensinos novos, interrogou atenciosamente:
- Só o amor pelo sacrifício poderá saciar a sede do coração?
Jesus teve um gesto afirmativo e continuou:
- Somente o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Acreditas que o mundo pudesse manter o equilíbrio próprio tão-só com os caprichos antagônicos e por vezes criminosos dos que se elevam à galera dos triunfadores? Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. Um guerreiro coberto de louros ergue os seus gritos de vitória sobre os cadáveres que juncam o chão, mas apenas os que tombaram fazem bastante silêncio, para que se ouça no mundo a mensagem de Deus. O primeiro pode fazer a experiência para um dia, os segundos constroem a estrada definitiva na eternidade. Na tua condição de mulher, já pensaste o que seria o mundo sem as mães exterminadas no silêncio e no sacrifício? Não são elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?!... Muitas vezes, o campo enflorescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa silenciosa, os corações maternais não desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Providência Divina, que espalha sobre um cemitério os lírios perfumados de seu amor!...
Maria de Magdala, ouvindo aquelas advertências, começou a chorar, a sentir no íntimo o deserto da mulher sem filhos. Por fim, exclamou:
- Desgraçada de mim, Senhor, que não poderei ser mãe!...
Neste ponto da entrevista lembrei de G., trabalha nessa vida tão dolorosa, para alimentar o seu filho menor que lhe espera em casa. Procura outra oportunidade de trabalho, mas até agora não encontrou. A lição do Mestre foi diretamente para ela, se exterminando no silêncio, no anonimato e no sacrifício, cultivando uma vida no jardim da vida, e que mais tarde essa mesma vida irá travar as batalhas espirituais que persistem até hoje. Talvez seu filho seja cliente de uma dessas mulheres, como hoje procuro pagar minha dívida com a parcela do trabalho delas que contribuiu para a minha educação. Mas vamos voltar à entrevista.
Então, atraindo-a brandamente a si, o Mestre acrescentou:
- E qual das mães será maior aos olhos de Deus? A que se devotou somente aos filhos de sua carne, ou a que se consagrou, pelo espírito, aos filhos das outras mães?
Essa interrogação também me atingiu. Lembro que com a minha primeira esposa decidimos adotar uma criança que precisava de melhor amparo. Hoje, com melhores condições materiais, surge nova oportunidade de acolher criança com necessidade... Por que essa possibilidade não assume a perspectiva de realidade na minha consciência e na consciência de minha atual companheira? Mas, voltemos mais uma vez à entrevista.
Aquela interrogação pareceu despertar Maria de Magdala para meditações mais profundas. Ela sentiu-se amparada por uma energia interior diferente, que até então desconhecera. A palavra de Jesus lhe honrava o espírito; convidava-a a ser mãe de seus irmãos em humanidade, aquinhoando-os com os bens com os bens supremos das mais elevadas virtudes da vida. Experimentando radiosa felicidade em seu mundo íntimo, contemplou o Messias com seus olhos nevoados de lágrimas e, no êxtase de sua imensa alegria, murmurou comovidamente:
- Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres transitórios do mundo, para adquirir o amor filial que me ensinastes!... Acolherei como filhas as minhas irmãs no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados e leprosos...
Nesse instante, Simão Pedro passou pelo aposento, demandando o interior, e a observou com certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial, quase denotando desprezo, e, já receosa de um dia perder a convivência do Mestre, perguntou com interesse:
- Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos?
Jesus compreendeu o motivo e o alcance de sua palavra e esclareceu:
- Certamente que partirei, mas estaremos eternamente reunidos em espírito. Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome a sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo.
Observando que Maria, ainda opressa pelo olhar estranho de Simão Pedro, se preparava a regressar, o Mestre lhe sorriu com bondade e disse:
- Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta, mas a fé remove os obstáculos... Nada temas: é preciso crer, somente!
Esta última lição do Mestre também se aplica diretamente a mim. Também devo pegar minha cruz e permanecer no caminho estreito da redenção, sabendo que a jornada é difícil, mas que no final estarei mais sintonizado com a essência do Pai.